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A História da Guerra de Independência de 1948.



Capitão Avraham "Bren" Adan levanta a Bandeira de Israel , imagem de Wikipedia.


Ao final da primeira grande guerra a geopolítica mundial foi modificada. Com o fim do domínio Sírio-Otomano na região da Palestina iniciou-se o Mandato Britânico em 1920, o mesmo sendo legitimado em 1922 pela Liga das Nações. A presença Britânica na região perdurou até 1948.


Vale ainda destacar outro importante marco histórico representado pela Declaração de Balfour de 1917, na qual havia a promessa do apoio britânico a criação de um "lar nacional" judaico na Palestina, que provocou uma reação muito violenta por parte da população árabe da região contra a população judaica.


Declaração de Arthur Balfour

Com o fim da Segunda Grande Guerra e os horrores da SHOAH cometidos pelo regime Nazista, a Organização da Nações Unidas, em Sessão Plenária Presidida pelo Osvaldo Aranha, aprova a resolução 181, em 29 de novembro de 1947, por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções, assim perfazendo a maioria exigida de dois terços. Ficou decidido que a região seria dividia em oito partes, que formariam dois Estado um árabe e outro judeu.


Os judeus aceitaram a Partilha, porém os árabes representados pela Liga Árabe recusaram a resolução e se opuseram a criação de um Estado Judaico. Assim iniciou imediatamente ações contrarias ao futuro Estado de Israel, ao mesmo tempo em que incentivava a população árabe da região a hostilizar os judeus e assim se intensificaram atentados nas cidades e vilas judaicas da região.


Abro aqui um parágrafo para explicar um pouco sobre a Liga Árabe, organização liderada pelo Egito, fundada em 22 de março de 1945, composta por sete países: Egito, Iraque, Trans Jordânia, Líbano, Síria, Arábia Saudita e Iêmen, posteriormente juntaram-se Sudão, Líbia, Tunísia, Marrocos, Kuait, Argélia, Iêmen do Sul, Barrem, Catar, Omã, Emirados Árabes, Mauritânia, Somália, Djibuti e Comores, representando uma população de 450 milhões. Fazem parte da Liga como observadores a Armênia, Brasil, Eritreia, Índia e Venezuela.


A liderança judaica sabendo que assim que Israel declarasse sua independência os países árabes pertencentes Liga Árabe iriam imediatamente declarar guerra contra o novo estado, decidiu postergar a declaração de independência, pois não contava com uma infraestrutura forte naquele momento para fazer frente a esta guerra. Seu exército estava em fase organização, o treinamento militar era insipiente e as armas eram insuficientes. Havia ainda extrema dificuldade de adquirir armamentos pois as potencias mundiais da época se recusaram fornece-los.


A seguir a Declaração da Independência do Estado de Israel, lida pelo David Ben-Gurion o Primeiro Ministro, em 14 de maio de 1948:

(Ouça o Discurso original da independência de Israel proferido por David Ben-Gurion em 14 de maio de 1948.

“A terra de Israel foi o lugar onde nasceu o povo judeu. Aqui sua identidade espiritual, religiosa e nacional foi formada. Aqui eles conquistaram independência e criaram uma cultura de significado nacional e universal. Aqui eles escreveram a Bíblia e a deram ao mundo.

Exilado da Palestina, o povo judeu se manteve fiel a ela em todos os países de sua dispersão, jamais cessando de orar e esperar por seu retorno e pela restauração de sua liberdade nacional.

Impulsionados por este vínculo histórico, os judeus lutaram através dos séculos por votar à terra de seus pais e recuperar seu país. Nas últimas décadas, eles voltaram em massas. Eles recuperaram o deserto, reviveram sua língua, construíram cidades e aldeias e estabeleceram uma comunidade vigorosa e crescente com vida própria econômica e cultural. Eles buscaram a paz, mas sempre estiveram preparados para se defender. Eles trouxeram a bênção do progresso para todos os habitantes do país.

No ano de 1897, o Primeiro Congresso Sionista, inspirado pela visão de Theodor Herzl do Estado Judeu, proclamou o direito do povo judeu a uma renascença nacional em seu próprio país.

Este direito foi reconhecido pela Declaração Balfour de 02 de novembro de 1917, e reafirmado pelo Mandato da Liga das Nações, que deu um reconhecimento internacional explícito à conexão histórica do povo judeu com a Palestina e seu direito a reconstituir seu Lar Nacional.

O Holocausto nazista, que assassinou milhões de judeus na Europa, provou novamente a urgência do restabelecimento do Estado Judeu, que resolveria o problema da falta de um lar para os judeus, abrindo os portões para todos os judeus e elevando o povo judeu à igualdade na família das nações.

Os sobreviventes da catástrofe europeia, assim como judeus de outras terras, proclamando seu direito a uma vida com dignidade, liberdade e trabalho, e incontidos por desgraças, sofrimentos e obstáculos, têm tentado incessantemente entrar na Palestina.

Na Segunda Guerra Mundial, o povo judeu na Palestina deu uma total contribuição na luta das nações amantes da paz contra o horror nazista. Os sacrifícios de seus soldados e os esforços de seus trabalhadores lhe fez merecer figurar ao lado dos povos que fundaram as Nações Unidas.

Em 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Resolução para o estabelecimento de um Estado Judeu independente na Palestina, e instou os habitantes do país a tomar os passos que fossem necessários de sua parte para concretizar o plano.

Este reconhecimento pelas Nações Unidas do direito do povo judeu a estabelecer seu Estado independente não pode ser revogado. Ele é, ademais, a direito auto evidente do povo judeu de ser uma nação como todas as outras nações, em seu próprio Estado soberano.

ASSIM, NÓS, os membros do Conselho Nacional, representando o povo judeu na Palestina e o movimento sionista do mundo, reunidos hoje em assembleia solene, no dia do término do Mandato britânico na Palestina, em virtude do direito natural e histórico do povo judeu e da Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas,

AQUI PROCLAMAMOS, o estabelecimento do Estado Judeu na Palestina, a ser chamado ISRAEL.

AQUI DECLARAMOS que, com o término do Mandato à meia-noite, nesta noite de 14 para 15 de maio de 1948, e até a devida instalação dos organismos do Estado eleitos em conformidade com uma Constituição, a ser redigida por uma Assembleia Constituinte não após o primeiro dia de outubro de 1948, o presente Conselho Nacional irá agir como administrador provisório, constituindo-se no Governo Provisório do Estado de Israel.

O ESTADO DE ISRAEL será aberto à imigração de judeus de todos os países de sua dispersão; promoverá o desenvolvimento do país em benefício de todos os seus habitantes; será baseado nos preceitos de liberdade, justiça e paz ensinados pelos profetas hebreus; defenderá total igualdade social e política para todos os seus cidadãos, sem distinção de raça, credo ou sexo; garantirá total liberdade de consciência, culto, educação e cultura; protegerá a santidade e inviolabilidade dos templos e lugares sagrados de todas as religiões; e se dedicará aos princípios da Carta das Nações Unidas.

O ESTADO DE ISRAEL estará pronto a cooperar com os órgãos e representantes das Nações Unidas para a implementação da Resolução da Assembleia de 29 de novembro de 1947 e tomará os passos para trazer uma União Econômica para toda a Palestina.


Apelamos às Nações Unidas para que ajude o povo judeu na construção de seu Estado e a admitir Israel na família das nações.

Em meio a uma brutal agressão, instamos ainda aos habitantes árabes do Estado de Israel para que retornem aos caminhos da paz e façam sua parte no desenvolvimento do Estado, com total e igual cidadania e a devidas representações em seus órgãos e instituições – provisórios ou permanentes.

Oferecemos paz e boa-vizinhança a todos os Estados vizinhos e seus povos, e os convidamos a cooperar com a nação independente hebraica para o bem comum de todos.

Nosso chamado vai ao povo judeu em todo o mundo para que se junte a nós na tarefa de imigração e desenvolvimento e fique ao nosso lado na grande luta para o cumprimento do sonho de gerações – a redenção de Israel.

Com confiança na rocha de Israel, assinamos esta Declaração, nesta sessão do Conselho Provisório do Estado, na cidade de Tel Aviv, nesta véspera de sábado, 5º dia do mês de Iyar de 5708, 14 de maio de 1948.”

Esta declaração foi feita em uma reunião especial do Conselho Nacional com duração de uma hora. Centenas de milhares de pessoas ficaram grudadas em seus rádios ouvindo com entusiasmo a transmissão ao vivo. O país explodiu em comemoração. Os moradores da cidade dançaram nas praças. Milhares vieram para as ruas de Tel Aviv testemunhar e comemorar este momento histórico com os seus próprios olhos.


Um dia depois de David Ben-Gurion ter declarado o estabelecimento do Estado de Israel, os exércitos árabes invadiram as fronteiras do novo Estado. O Egito pelo sul, o Iraque e a Jordânia do leste e o Líbano do norte juntaram forças locais e invadiram o país recém-formado.


Horas depois da declaração de Estado, parecia que o novo país seria esmagado em batalha quando mal tinha sido estabelecido. As forças blindadas do Egito separaram o Negev do resto de Israel, conquistando Ashkelon e avançaram em direção a Ashdod. Dezenas de pessoas foram mortas num ataque aéreo egípcio em Tel Aviv.


O problema mais crítico, no entanto, permaneceu em Jerusalém. O exército jordaniano isolou a cidade do centro do país, conquistou a Cidade Velha e isolou o Monte das Oliveiras. O único contacto com Jerusalém foi feito através de comboio, alguns dos quais não conseguiram passar.


O exército sírio atravessou o rio Jordão e o exército libanês assumiu o controle da Baixa Galileia e de Nazaré, no norte do Estado. Na região, o exército iraquiano conquistou a maior parte da Judéia e da Sumaria.


Continuaremos esta história no próximo número quando narraremos a vitória milagrosa do Exército de Defesa de Israel sobre os invasores.










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