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A Torá como Chuva e Orvalho - Parashá Ha’Azinu

(Deuteronômio\Devarim 32: 1–52)


Por Rogério Palmeira



Imagem de Ahmed A.ghaffar por Pixabay


Lida entre Yom Kipur e Sucot, a Parashá Ha’Azinu (“Escuta” dirigida a mais de uma pessoa, em hebraico), a penúltima do ciclo de leitura anual, contém em palavras poética, mas duras as vezes, as últimas palavras de Moshé, naquela que é conhecida como Canção de Moshé. Nesta Canção Moshe Rabeinu, pede que os Céus e a Terra escutem as palavras que dirá, comparando sua Instrução com Chuva e Orvalho.


Há um Midrash que nos conta que quando inclinamos nossos ouvidos para ouvir a Torah, todas as criaturas, sejam celestiais ou terrenas, silenciam para que possamos absorver seus preciosos ensinamentos. Rashi, o grande comentarista medieval francês, faz uma bela analogia: assim como a chuva traz alegria e vida à terra, a Torah dada a Israel é vida para o mundo inteiro. No entanto, há uma diferença notável. Quando chove, todos percebem e se regozijam, mas o orvalho que gentilmente cobre a terra todas as manhãs requer nossa atenção. Sua natureza discreta não clama pelos nossos sentidos e, muitas vezes, passa despercebida.


Mas assim como a chuva, o orvalho também é ofertado em gotículas, ambas favorecem a fertilidade do solo, como a Torá favorece o crescimento moral de quem escuta suas palavras, conclui o sábio medieval.


Nesta Canção, HaShem é comparado a Uma Águia pois oferece proteção aos seus filhos e a uma Rocha, Tzur Israel, Rocha de Israel. Ibn Ezra, que viveu na Espanha Islâmica na idade média, comenta sobre a comparação com Rocha, lembrando que estas e outras comparações são metafóricas e que O Eterno não tem forma, mas assim como a Rocha é Forte e Permanente, significando Seu caráter Atemporal, bem como a imutabilidade das Leis da Natureza. Porém a Parashá traz diversas advertências ao caráter teimoso do povo de Israel, que mesmo assim recebe muitas bênçãos, pois apenas a Justiça e as Obras de D-us São Perfeitas. Ouvir estas advertências logo após o Yom Kipur, porém também pode ser observado por lentes otimistas. Refletindo sobre esta porção semanal, em sua obra Kedushah Levi, o Rabino chassídico, Levi Ytzhak de Berdichev (1740-1810),um dos mestres da fase criativa do chassidismo, conhecido por sua intensa piedade e amor incondicional pelo judeus, nos lembra que nossos Sábios no Tratado Talmúdico de ‎‎Pessachim, declara que a única razão pela qual o povo judeu foi disperso pelo mundo, ao invés de em uma ilha isolada, foi para que os demais povos pudessem conhecer os valores judaicos e assim ter uma chance de se converterem ao judaísmo. Assim embora cheia de advertências a possíveis castigos, a canção de Moshé, também traz à lembrança de que recebemos a Torá como Chuva e Orvalho, com os quais podemos fertilizar nossos corações e mentes para o correto entendimento, tendo chance de ser rápido como a chuva ou suavemente como o orvalho. E Assim como Lembra o rabino Levi Yitzhak de Berdichev, sermos uma Luz para as Nações, através da vivência de Valores Judaicos.


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