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Elza Cataldo, diretora do filme As Órfãs da Rainha conversa com o SIB e-news

Dirigido por Elza Cataldo, "As Órfãs da Rainha" recebeu reconhecimento na 14ª edição do Toronto International Women Film Festival, realizado no Canadá.


O filme lança luz sobre a vida das irmãs Leonor, Brites e Mécia, jovens órfãs de origem portuguesa, que foram enviadas de maneira relutante à colônia brasileira durante o século XVI. O propósito desse envio era que elas contraíssem matrimônio com pretendentes já preestabelecidos.

No âmago do enredo, destaca-se a desafiadora adaptação dessas mulheres ao Novo Mundo, cada uma enfrentando suas próprias vicissitudes. Contudo, a coesão da irmandade é testada quando o Inquisidor aporta em terras brasileiras, no ano de 1591, lançando um clima de apreensão e suspeição entre os habitantes da vila de Morena.


É nesse cenário de inquietação que as protagonistas – Leonor, Brites e Mécia – se veem subitamente acusadas de abraçar práticas judaizantes, em meio às sombras ameaçadoras da Inquisição. Em um período permeado por tensões e incertezas, as três irmãs, cada uma trilhando um caminho pessoal único, desvelam as raízes profundas de sua herança e ascendência.

Diante das adversidades impostas, as jovens tomam para si o leme de suas próprias histórias, traçando trajetórias de coragem e autodeterminação. "As Órfãs da Rainha" ressoa como um tributo à resiliência humana diante das intempéries, oferecendo uma visão vívida da capacidade de escolha mesmo sob as circunstâncias mais desafiadoras.


Conversa com a Diretora

Elza Cataldo - Diretora do filme As Órfãs da Rainha


Tive a oportunidade de conversar com a produtora, roteirista e diretora do filme, Elza Cataldo para o SIB e-news


SIB e-news:

Como de praxe, comecemos pelo início: poderia nos contar um pouco sobre sua própria origem e trajetória?


Elza Cataldo:

Tenho Graduação em Psicologia pela UFMG, Mestrado em Educação pela UFMG, Doutorado pela Sorbonne/Paris em Política Educacional e Curso de Cinematografia em Nanterre/França. Fui professora e pesquisadora na UFMG e exibidora em Belo Horizonte. Sou diretora, produtora e roteirista de cinema.


SIB e-news:

O filme apresenta uma narrativa complexa e rica em detalhes históricos. Como a sua própria experiência de vida influenciou sua abordagem na direção e no roteiro desse filme?


Elza Cataldo:

Tenho profunda ligação com o gênero histórico, especialmente, com a história das mulheres. Sou detalhista e persistente, o que me levou a transitar com uma calma ativa o longo tempo de pesquisa do tema e da preparação do filme.

SIB e-news:

A história das três irmãs no contexto da Inquisição é uma escolha de enredo única. Poderia nos contar um pouco sobre como surgiu a inspiração para esse roteiro e por que você decidiu explorar essa temática específica?


Elza Cataldo:

O título surgiu a partir de uma pesquisa de outro filme quando me deparei com o verbete “órfãs da rainha” do dicionário Brasil Colônia, organizado pelo historiador Ronaldo Vainfas. O interesse pela história dos judeus, há muito me acompanha. Localizar a história das três irmãs no contexto da chegada da Inquisição no Brasil, em 1591, me pareceu instigante e original.


SIB e-news:

Considerando seus interesses, qual foi o papel desses elementos na moldagem da narrativa de do filme? Como eles se entrelaçam na trama do filme?


Elza Cataldo:

Li mais de trezentos livros para ter profundidade no roteiro e na abordagem temática e estética junto com a equipe do filme. O diretor de arte baiano Moacyr Gramacho e sua equipe também baiana foram fundamentais para trazer a organicidade da cidade cenográfica, construída especialmente para o filme. Para a parte dos ritos e orações judaicas, contamos com a essencial consultoria do Rabino Uri Lam.



SIB e-news:

A premissa d’ “As Órfãs da Rainha” possui abordagem única, como você equilibrou o desafio de trazer à vida uma história que envolve religião, história e temas atuais, como a opressão das mulheres?


Elza Cataldo:

Tendo como eixo a trajetória das três irmãs. São elas que conduzem a trama, trazendo vida e emoção para uma história tão remota, mas que ainda ecoa no Brasil atual.


SIB e-news:

Moacyr Gramacho, o diretor de arte do filme, teve muito trabalho na recriação visual do século XVI e na construção do cenário. Pode nos contar um pouco mais sobre como a colaboração com ele influenciou a ambientação e a estética de "As Órfãs da Rainha"?


Elza Cataldo:

Foi uma excelente colaboração. Ele encarou com muito empenho, técnica e talento artístico a recriação de uma vila do Recôncavo Baiano em uma fazenda da pequena cidade do interior de Minas Gerais, chamada Tocantins.


SIB e-news:

Além de "As Órfãs da Rainha", você tem outros projetos futuros que também se relacionem com sua paixão pelo cinema e pelos temas que você explora? Poderia nos contar um pouco sobre esses projetos?

Elza Cataldo:

Sim, tenho um documentário de longa-metragem chamado O Silêncio de Eva e um longa ficcional chamado A Pedra do Sino que não demoram a serem lançados. E dois outros projetos novos em processo de desenvolvimento. Mantendo o foco no gênero histórico e na revelação de protagonistas femininas.


SIB e-news:

Por fim, para os membros da comunidade judaica da Bahia que desejam se conectar com a história e a mensagem do filme de uma maneira mais pessoal, que conselho você daria para aproveitarem ao máximo essa experiência cinematográfica?


Elza Cataldo:

Acredito que a comunidade judaica da Bahia, assim como as comunidades judaicas das cidades onde o filme foi lançado até agora (Belo Horizonte, Brasília e São Paulo), se sentirá tocada e emocionada em ver na tela a sua própria história contada de forma respeitosa e requintada, fazendo jus à importância do legado judaico na formação da nação brasileira.


O filme As Órfãs da Rainha está em cartaz no Cine Glauber Rocha. Nesta quinta-feira, dia 24, o valor do ingresso promocional será de apenas R$5,00! A diretora Elza Cataldo permanecerá na cidade para acompanhar sessões de "As Órfãs da Rainha" no Cine Glauber Rocha. Junto com o diretor de arte Moacyr Gramacho, ela participará de bate-papos informais com o público nos dias 24, 25 e 26 de agosto, após as sessões das 19h. Será uma oportunidade para discutir detalhes da produção e trocar ideias sobre o filme.


Ficha Técnica:

Direção e Produção: Elza Cataldo

Roteiro: Elza Cataldo, Pilar Fazito e Newton Cannito

Direção de Arte: Moacyr Gramacho

Direção de Fotografia: Fernanda Tanaka

Figurino: Sayonara Lopes e Rosângela Nascimento

Montagem: Armando Mendz

Direção Musical: David Tygel

Participação especial da cantora Fortuna

Elenco: Letícia Persiles, Rita Batata, Camila Botelho, César Ferrario, Alexandre

Cioletti, Celso Frateschi. Participações Especiais: Juliana Carneiro da Cunha, Teuda

Bara e Inês Peixoto.

Redes sociais: @elzacataldo @asorfasdarainhaofilme. A obra conta com o patrocínio da Energisa, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura

de Minas Gerais, e com a Ancine/FSA/BRDE


Mais imagens do filme, abaixo:

Todas as imagens nesta matéria foram cedidas pela assessoria do filme e tem Todos os Direitos Reservados.





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