Notícias de Israel
- David S. Moran
- 2 de jul.
- 6 min de leitura
AS LUTAS INTERNAS VÉSPERA DE ELEIÇÕES - Ontem marcamos o milésimo dia da maior tragédia que Israel sofreu desde sua fundação, há 78 anos, quando terroristas da organização terrorista Hamas invadiram o território israelense acompanhados por partidários. Mataram, naquele dia, 1.020 civis e levaram consigo 251 sequestrados. Infelizmente, e pelo visto no meio político, nada mudou e, pior ainda, a chantagem aumentou. No lado militar e de segurança, o Chefe do Estado-Maior renunciou, o Chefe do Serviço de Inteligência demitiu-se, assim como o chefão do Shabak (ex-Shin Bet – Serviço de Segurança Geral) e também o chefão do Mossad. Todos no lado militar foram trocados, mas a ala política recusa-se a assumir a responsabilidade. É mais fácil o primeiro-ministro acusar os outros do que se responsabilizar.
Mesmo depois de 1.000 dias, não foi constituída nenhuma Comissão de Inquérito. Neste caso, é exigida uma Comissão Nacional de Inquérito, mas Netanyahu é contrário a ela, pois diz que não confia na Suprema Corte, que tem que escolher as pessoas para a comissão.
No lado militar, Israel demonstrou seu poderio, atacando de volta o Hamas, destruiu seu poder militar e causou grandes danos materiais. Ocupa 60% do território da Faixa de Gaza, mas não conseguiu sua meta de desarmar o Hamas e fazer com que seus militantes deixem a área. Isso apesar de ter apoio americano e também de boa parte da população local. Só nestes dias foi noticiado que o Hamas recrutou novos militantes, está se rearmando (com dinheiro do Qatar) e se preparando para novos ataques.
No Líbano, a organização terrorista Hezbollah também sofreu grande derrota. Seu líder, Nasrallah, foi morto com outros comandantes, e esta organização perdeu força. Forças israelenses se estabeleceram ao longo da Linha Amarela, e o Hezbollah recuou, mas continua lutando. O governo israelense e o libanês mantêm contatos em Washington e chegaram a um bom acordo de 14 parágrafos, que trata da paz, da segurança, de negociações diretas e do fim do conflito. Palavras bonitas, mas difíceis de serem concretizadas. O governo do presidente cristão Joseph Aoun e do primeiro-ministro sunita Nawad Salam quer a paz com Israel, mas o líder xiita do Hezbollah, Naim Qassem, com suporte do Irã, sabota qualquer entendimento. Ele disse: "Este acordo é inaceitável e representa uma rendição". O Hezbollah se recusa terminantemente a se desarmar, apesar da exigência do governo, que tem receio de colocar o Exército libanês em confronto com o poderio militar do Hezbollah. O presidente Aoun até chegou a criticar violentamente o Irã por atacar seus vizinhos, os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait. Ele o fez depois de receber garantias americanas para sua segurança e a de seu governo.
O Irã, que perdeu seu líder máximo e sofreu graves danos no seu projeto nuclear e militar, continua a agir à maneira iraniana de negociar e enganar seus oponentes. O vice-presidente americano J.D. Vance chegou a um entendimento com os mediadores do Qatar e do Paquistão para formar um mecanismo de supervisão do cessar-fogo, sem a participação do Líbano e de Israel. Segundo Vance, representantes das Guardas Revolucionárias sentarão em Doha ao lado de representantes americanos do CENTCOM. Um absurdo, já que, em 2007, o governo americano qualificou as Guardas Revolucionárias como uma organização terrorista. Um diplomata israelense qualificou este ato como "um processo louco". No início da guerra, o CENTCOM coordenou as operações com Israel e agora coordenará com as Guardas Revolucionárias, que reprimem sua própria população.
O presidente Trump disse também que "o Irã implorou para nos encontrar e continuar o diálogo em Doha". Só que o Irã, como sempre, imediatamente negou esta declaração e alegou que só tratará do descongelamento de verbas iranianas e da navegação no Estreito de Hormuz.
Assim, mesmo depois de 1.000 dias e grandes vitórias militares, nada ou pouco mudou. Hamas e Hezbollah ainda não foram desarmados, mesmo depois de trazerem tanto sofrimento à população de Gaza e do Líbano, respectivamente. Continuam mantendo a batuta e mandam nos seus territórios. Assim também é no Irã. Este país sofreu muitos danos, sua população empobreceu e sofre com o governo radical islâmico, que continua a pregar a destruição do Estado de Israel. Resumindo, pouco ou nada mudou nas ameaças desses islamistas contra Israel.
NO PLANO INTERNO - A atual sessão do Knesset terminará em duas semanas, pela antecipação das eleições. Netanyahu faz de tudo para manter sua coalizão, e os partidos ultraortodoxos se aproveitam desta situação e o chantageiam. O atual governo conseguiu dividir o povo, seja pela reforma que quer fazer no Poder Judiciário, seja pela guerra de 7 de outubro, que Netanyahu faz questão de chamar de Guerra da Ressurreição.
Em consequência desta guerra e das baixas e dos feridos que as FDI sofreram, faltam muitos soldados, e os jovens haredim agem como se isto não os afetasse. Sabem que há reservistas que deixaram seus lares e afazeres e estão servindo há até 500 dias ou mais, enquanto os haredim que são pegos pela Polícia Militar por não se alistarem, como os demais jovens, têm seus pares promovendo manifestações e protestos, atrapalhando o trânsito em rodovias principais.
Para permanecer no governo, Netanyahu lhes aprova mais verbas e leis que os isentam do serviço militar obrigatório. Chega ao absurdo de, na segunda-feira (30), Netanyahu visitar uma base militar no Líbano, onde servem também soldadas da infantaria. Pouco antes de sua chegada ao local, as soldadas foram requisitadas a se instalar em outras dependências "para não ferir a alma" de soldados haredim do Batalhão Hashmonaim, que também viriam ao local. Se eles vissem as soldadas, isto só lhes faria bem, mas têm que manter distância.
Os partidos ultraortodoxos querem, por lei, equiparar o estudo da Torá ao serviço militar. Netanyahu, que é de um partido nacionalista, aprova esta lei apenas para manter sua coalizão. Eles se tornam parasitas, pois, se estudam, não podem exercer nenhuma outra função ou emprego. Até parece que os rabinos lutam entre si para se mostrarem mais radicais.
Um exemplo desta semana: numa convenção do partido Shas, um chamado rabino, Arie Yazdi, disse (29): "O Chefe do Estado-Maior, que seu nome e sua memória sejam apagados" (grave xingamento), "mandou prender um soldado que portava no uniforme militar o slogan 'Mashiach', no lugar do emblema da sua unidade. No Exército educam para as mais extremas e graves transgressões da Torá". Houve críticas de todos os partidos e de diversos setores. Mas isto não influenciou. O ex-Grão-Rabino Itzhak Yossef disse, na mesma convenção: "Soldados caem porque as autoridades restringem o estudo da Torá". Palavras que não têm cabimento.
Ao mesmo tempo, o governo nomeia pessoas ligadas a ele para cargos de interesse. O advogado pessoal de Netanyahu foi indicado para o posto de Controlador-Geral da Nação, e o filho do líder do Shas, Arie Deri, para o cargo de presidente-adjunto do KKL, que controla as terras do Estado. No passado, seu tio (o irmão de Deri) exerceu o mesmo posto, como se fosse algum feudo da família Deri. Aliás, houve muitas críticas, pois Yanki Deri não tem formação universitária.
A violência, com mortes, cresce a cada dia, e a Polícia nada faz, pois, sob o comando do ministro Ben Gvir, segue sua orientação e só resolve 15% dos casos.
Nem mesmo a crescente e preocupante onda de antissemitismo que corre pelo mundo, bancada pelo Qatar e por outros países radicais, faz com que o governo lhe dedique alguma atenção. Não há Ministério da Divulgação, e Israel tem muitas coisas boas e produtivas que criou e poderia mostrar às pessoas que desconhecem esses fatos.
Infelizmente, Netanyahu fala muito em união e que o povo deve permanecer unido, mas fez justamente o contrário. Manda emissários falarem mal dos oponentes e ele mesmo não concede entrevistas à mídia israelense, com exceção do Canal 14, de um magnata amigo seu, que só fala bem dele.
JORNALISTA SAUDITA: "MEU PAÍS TINHA QUE JUNTAR-SE AOS ACORDOS DE ABRAÃO" - O renomado jornalista Abed Al Aziz Al Hamis, que escreve em Londres, está nestes dias visitando Israel. Em entrevista, ele criticou o regente do país, MBS. Antes da guerra havia a possibilidade de paz entre Israel e a Arábia Saudita, que agora parece distante. O Irã conseguiu interromper o processo dos Acordos de Abraão. A Arábia Saudita devia combater os extremistas e juntar-se aos acordos. "É uma pena; meu país só poderia lucrar com isto."
DELEGAÇÕES ISRAELENSES DE RESGATE NA VENEZUELA - Mesmo com as relações rompidas pelo governo Maduro, em 2019, Israel enviou delegações oficiais e particulares para ajudar nas buscas e no salvamento de venezuelanos soterrados e de vítimas do terremoto. As delegações são coordenadas pelas autoridades locais e atuam em conjunto com outras equipes que participam da operação de ajuda.
IMPORTAÇÃO DE MEL PARA ADOÇAR O ANO-NOVO - O Ministério da Agricultura abriu concurso para a importação de 400 toneladas de mel, isentas de imposto de importação, para as festas de Rosh Hashaná. Como se sabe, na véspera do Ano-Novo judaico (11.9.26), o israelense consome mais mel na esperança de que o ano que chega seja mais doce. O importador que oferecer o menor preço terá direito de importar 20% do total (80 toneladas), e o restante será dividido entre os demais importadores. O líder na produção nacional de mel é o Kibutz Yad Mordechai, vizinho da Faixa de Gaza. A qualidade do mel é verificada e deve atender às normas europeias. Segundo o Ministério da Agricultura, o consumo anual de mel em Israel é de 6.500 toneladas.
O MUNDIAL DE SURPRESAS E NACIONALISMO - A Holanda perdeu para o Marrocos e, mesmo vivendo em Haia, Amsterdã ou Roterdã, milhares de marroquinos saíram às ruas dessas cidades para comemorar a vitória de sua seleção nacional.

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