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O Mundo de Crueldade da Shoá e O Mundo de Hoje.

Discurso no Dia Internacional em Memória às Vítimas da Shoá.

 



Shalom!

Este dia é um dia que nos reunimos para manter viva a memória de todas as vítimas do Holocausto, ou como nós judeus chamamos, Shoá, Catastrofe, em hebraico.  A Singularidade da Shoá, consiste não apenas em seu quase inacreditável número de vítimas, mas no seu modus operandi científico, planificado, industrial e  com tamanha maldade e requinte de crueldade: uma indústria da morte. Entretanto é sempre importante lembrar que o Holocausto não começou subitamente, ele começou com um processo de desumanização que corroeu a mentalidade da civilização ao longo de séculos. . Quando o racismo e a discriminação se naturalizaram, através de um discurso pseudocientífico, que propurnha a existência de raças superiores no século 19 e permitiu a noção de seres indignos de viver. Indignos de viver eram os judeus, os ciganos, os homossexuais, os portadores de enfermidades mentais, os deficientes físicos e mentais, os negros…. e até mesmo os opositores políticos.   O estado, as universidades, cientistas e políticos participaram de uma conspiração maligna, que resultou no extermínio sistemático de 2\3 dos judeus europeus, num total de 6 milhões de pessoas, das quais cerca de 1,5 milhão de crianças, cerca de 250-500 mil ciganos, cerca de 250 mil homossexuais, mais de 300 mil deficientes, entre 1700 a 5 mil testemunhas de Jeová, um número de pessoas homossexuais e um número incerto de pessoas negras que pode chegar a centenas de milhares. 


Passados quase 80 anos da libertação do campo de Auschwitz num dia 27 de janeiro de 1945, o mundo ainda não deixou suas feridas cicatrizarem, pois o mesmo elixir maléfico da discriminação doentia continua envenenando a mente e o coração das sociedades e das pessoas.  Aumenta cada dia os negacionistas do holocausto. O mesmo veneno do racismo e intolerância religiosa, se expande ainda mais facilmente na época das redes sociais. O Antissemitismo, o anticiganismo e o preconceito contra pessoas LGBTQIA+ são socialmente aceitáveis.  No Brasil ataques a instituições de matriz afro-brasileira e instituições judaicas crescem a cada dia. Ataques de neonazistas vem nos últimos anos têm sido crescentemente registrados.


A humanidade não aprendeu com o Holocausto. Genocídios em diversos locais da África, como Darfur, Sudão têm sido ignorados. A limpeza ética no Tibet ocorre desde os anos 1950 perpetrado pela China sem que se chame a atenção de ninguém. Os mesmos chineses tem implantado uma política sistemática de extermínio dos uigures em campos na região noroeste de Xinjiang, onde surgiram alegações de tortura, trabalho forçado e abuso sexual. Os uigures são muçulmanos. Os curdos têm sido atacados diariamente pela Turquia, num processo de limpeza étnica que dura décadas. O Iraque mantém o mesmo processo. A Guerra Civil na Síria, vítima por ano,  dezenas de milhares de pessoas. Mulheres têm sido mortas pelo simples fato de não usarem o véu.  Esta semana o Irã executou uma pessoa por ter doença mental. Homossexuais não podem viver abertamente no Oriente Médio, exceto em Israel, um dos poucos locais no continente asiático, o maior e mais populoso continente, onde há parada gay. Em Tel Aviv, registra-se uma das maiores taxas mundiais de casamento homoafetivo.

 No Brasil, indígenas são assassinados por motivos banais, o feminicídio e o assassinato de homossexuais batem recordes.


Em nenhum desses casos, temos visto protestos em massa nas ruas pelo mundo. Em 07 de outubro de 2024, o Estado de Israel sofreu o seu maior atentado. Nunca desde o fim da segunda-guerra mundial tantos judeus foram mortos num só dia. O grupo responsável pelo ataque, o grupo Terrorista Hamas, implantou na Faixa de Gaza, um regime de terror desde 2006, no qual homossexuais e  opositores políticos são assassinados. Mulheres não têm espaço na sociedade, a não ser como reprodutoras. Crianças são educadas no ódio.  Esse ataque deu origem a um terrível conflito, com vítimas inocentes em ambos os lados. A mídia , na tradição do antissemitismo, não mostra, mas civis israelenses são alvos diariamente de milhares de foguetes do Hamas. Os palestinos  são privados de ajuda humanitária, dos recursos financeiros que são desviados para os líderes terroristas que vivem no Qatar ou no Líbano, ou são usados para a máquina de guerra dos terroristas do Hamas.


Por que falar disso agora? Meus amigos me perdoem, e peço um pouco de paciência. O Estado de Israel foi acusado de genocídio no conflito em Gaza. Nós judeus somos atacados o tempo todo. O número de pessoas que  lamentam a falha de Hitler em não exterminar os judeus e recentemente um famoso político brasileiro sugeriu boicote a empresas de judeus. Essa foi uma das primeiras medidas implantadas pelos nazistas. Ao tribunal internacional em Haia, foram apresentadas as evidências da ação das forças de defesa de Israel, que perdendo vantagem de ataques surpresas, avisam e coordenam a evacuação de civis, promoveram o envio de ajuda médica e humanitária para a a população palestina. O Tribunal em Haia, determinou que a IDF tome todas as medidas para evitar danos aos civis em Gaza e para que não haja um genocídio.  Curioso é que a mesma África do Sul, mantém relações com o grupo Hamas, pelo menos desde 2015. 


A presidente de um forte partido de esquerda acusou os judeus de dupla lealdade e a CONIB de ser agência de espionagem de Israel. Ao mesmo tempo, líderes progressistas ignoraram e até mesmo desacreditam nas evidências da utilização sistematizado do estupro como arma de guerra. A voz das mulheres judias e não-judias foram silenciadas  por tais grupos. Não lutamos contra os palestinos. Somos a favor de um estado palestino, lado a lado com o estado de Israel e aqueles que se lavantem clamando do rio ao mar, a Palestina, será livre, ignorando que nesse território, tem além da Palestina 0 Estado de Israel, não revelam que as lideranças árabes não aceitaram um estado palestino em 1937,1948, 2000, 2005. Recentemente surgiram provas de que funcionários  da  UNRWA estiveram envolvidos no ataque do Hamas. Agências de notícias como AFP e AP estiveram em tempo real durante os ataques. Em que mundo estamos?


Deste modo, enquanto persistirem o racismo, a intolerância contra qualquer grupo étnico, religioso, ou nacional, as lições da tragédia da Shoá, não terão sido aprendidas. Enquanto um homossexual, um judeu, um adepto do candomblé, ou da umbanda, um Baha´i , um protestante gay, não puderem ser aceitos como pessoas, as  vozes das vítimas do  Holocausto continuam clamando, por um NUNCA MAIS È AGORA. Muito Obrigado!!

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