Parashá Mishpatim e Parashá Shekalim
- Marcos Wanderley

- 12 de fev.
- 1 min de leitura
- Shemot/Êxodo 21:1 - 24:18
- Haftará (quando coincide com Parashat Shekalim): II Reis 12:1–17
A Parashat Mishpatim é singular porque, logo após a revelação majestosa no Sinai (Parashat Yitro), a Torá mergulha em detalhes aparentemente “terrenos”: leis civis, sociais e éticas. Isso ensina que a espiritualidade judaica não se limita ao êxtase da revelação, mas se concretiza na forma como tratamos o próximo — no contrato, no empréstimo, na responsabilidade comunitária. O sagrado se manifesta no cotidiano.
Um detalhe marcante é o versículo Êxodo 24:7, onde o povo declara “Naasê venishmá” (“Faremos e ouviremos”). Essa ordem invertida revela que a verdadeira fé não é apenas racional, mas também prática: primeiro o compromisso, depois a compreensão. Mishpatim mostra que até as leis que parecem “lógicas” (como indenizações e justiça social) são parte da aliança divina, elevando o que seria apenas civil a um nível espiritual.
Por que é também Parashat Shekalim?
Parashat Shekalim é a primeira das Arba Parashiot (quatro leituras especiais antes de Pessach). Ela recorda a mitzvá do meio shekel (Êxodo 30:11–16), que cada judeu deveria doar para sustentar os sacrifícios comunitários no Templo.
O vínculo com Mishpatim é profundo:
- Mishpatim ensina justiça e responsabilidade individual.
- Shekalim lembra que cada pessoa, independentemente de sua riqueza, contribui igualmente para o bem coletivo.
- Juntas, elas revelam que a vida judaica é um equilíbrio entre o dever pessoal e a solidariedade comunitária.
Assim, Mishpatim molda a ética social, e Shekalim reforça que essa ética só se sustenta quando cada indivíduo assume sua parte na construção espiritual e material da comunidade.
Shabat Shalom Umevorach

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