top of page

Parashá Vaerá 

(Eu apareci-Êxodo:6-2 a 9-35)

Haftará (Ezequiel 28:25-29:21) Por Emerson Luiz (David ben Avraham)

 

Nesta parashá existe um dilema intrigante, os comentaristas analisaram de forma profunda o fato do endurecimento do coração do Faraó e de ele não permitir que o povo fosse liberto das opressões e servidão no Egito.

 

A Torá nos fala diversas vezes que o coração do faraó se endureceu, na verdade, se prestarmos atenção aos detalhes, em alguns momentos o texto fala que foi o Faraó que endureceu o próprio coração e em outros  diz explicitamente que foi D-us quem o Fez. Essa narrativa pode gerar uma pergunta que é: se Hashem endureceu o coração do Faraó onde fica o livre arbítrio? Pode se interpretar que o direito de escolha do Faraó foi negado. A questão é que não podemos esquecer do contexto, e o momento histórico, mas na visão do  Midrash e de alguns comentaristas da tradição oral, eles explicam que no início é o Faraó que endurece o próprio coração, ele vê os sinais e acontecimentos no Egito através das pragas, percebe que há algo errado, mas  escolhe ignorar os fatos com soberba e arrogância, só após algumas recusas conscientes, a Torá passa dizer  que D-us endureceu o coração dele, ou seja, ao contrário do que se pensa, Hashem não está tirando o livre arbítrio do Faraó, o mesmo, com suas más ações que destruiu o seu próprio caminho. 


É  assustador o ser humano pensar que pode fazer o que quer, é importante fazer uma reflexão  sobre o texto, trazendo-o para o momento atual: nós seres humanos nos acostumamos de tal forma em dizer não para a verdade,  que esse não acaba se tornando automático. E a partir desse ponto a pessoa destrói o seu direito de escolha, ela passa viver na reação. O coração endurecido do Faraó nos traz o entendimento de que isto não foi uma punição e sim uma consequência das suas ações. E traz uma grande lição existencial da parashá, o Faraó não é só o rei do Egito, a Cabalá fala que é um estado psicológico, o Faraó é aquela parte do nosso ser que prefere manter o controle do sofrimento, do conhecido, do que arriscar a liberdade desconhecida. O povo queria sair do Egito, mas o Faraó precisava que eles ficassem, não só economicamente, sobretudo para manter o seu conceito ideológico, porque isso sustentava a sua identidade de “deus”, senhor absoluto.


Quando alguém constrói a própria identidade em cima do controle, do poder e do ego, qualquer mudança se torna ameaçadora, qualquer libertação alheia vira um perigo pessoal, mesmo quando tudo está ruindo. E aí o Midrash traz algo impressionante: cada praga foi enviada porque o Faraó, em cada uma delas, tinha uma chance de voltar atrás, a pausa entre as pragas, era um convite, uma oportunidade para ele se arrepender. Na realidade, a importância de reconhecermos que todos nós temos um pequeno Faraó em nosso interior, simbolizada na pessoa incomodada com a dor, com as dificuldades, a pressão, que não quer mudar seu espírito, o interesse está no sanar a dor.


O Faraó não queria que o Nilo virasse sangue, ou que houvesse sapos, gafanhotos nas plantações etc., por isso o Faraó vive o dilema de libertar o povo quando vem as pragas, porém quando passa, ele retorna o seu estado anterior. É semelhante às nossas ações: quando dói prometemos mudar, mas quando passa, tudo volta a ser como era. O Zohar explica que o Faraó representa uma klipá chamada de “eu absoluto”, aquele ego que se acha o centro do universo, aquele eu que não aceita se submeter a nada maior.

 

(Referências Bibliográficas: Chumash Torá; Os caminhos da Kabalá; Sermões da Torá; Nos caminhos da eternidade).

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Notícias de Israel

TRUMP NOVAMENTE AMARELA (TACO) - As noticias sobre um iminente ataque americano contra o Irã e as possíveis negociações entre os dois países para tentar evitar o ataque, correm e muito pelo mundo todo

 
 
 
Cemitério Israelita da Bahia 

Construído em 1937 em Quintas dos Lázaros, o Cemitério Israelita da Bahia está completando 89 anos de existência. Até aquele ano, os sepultamentos de judeus em Salvador eram realizados em uma ala espe

 
 
 
Parashá Yitrô

Na Parashá Yitrô encontramos três temas principais: a) a visita de Yitrô, sogro de Moshê, ao acampamento dos hebreus; b) o anúncio, aos pés do Monte Sinai, dos Dez Mandamentos; c) o pedido do povo par

 
 
 

Comentários


Fundada no dia 17 de abril de 1947, a Sociedade Israelita da Bahia – ou simplesmente SIB - é uma associação civil brasileira, beneficente e filantrópica que procura promover culto, ciência, cultura, educação, esportes, recreação e beneficência, sob a égide da religião judaica.
A SIB também está pronta para representar e proteger os membros da comunidade judaica local como tais quando necessário.

REDES SOCIAIS
  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon

(71)3321-4204

 R. das Rosas, 336 - Pituba, Salvador - BA, 41810-070

bottom of page