top of page

A Revolta que não acabou

A Revolta do Gueto de Varsóvia foi um ato de resistência heroica dos judeus contra a opressão e o extermínio nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O gueto era uma área cercada e isolada na capital polonesa, onde mais de 400 mil judeus foram confinados em condições desumanas. Entre julho e setembro de 1942, os nazistas deportaram cerca de 300 mil judeus do gueto para o campo de extermínio de Treblinka, onde foram assassinados nas câmaras de gás.

National Archives and Records Administration, Public domain, via Wikimedia Commons


Em janeiro de 1943, os judeus que restaram no gueto decidiram se organizar e se armar para enfrentar as novas deportações ordenadas por Heinrich Himmler, o chefe da SS. Eles formaram a Organização Judaica de Combate (ZOB), liderada por Mordechai Anielewicz, um jovem militante sionista. Eles conseguiram contrabandear algumas armas e explosivos e construir esconderijos e bunkers dentro dos prédios.


Em 19 de abril de 1943, véspera de Pessach, os nazistas entraram no gueto com tanques e metralhadoras para iniciar a "ação final" de liquidação do gueto. Eles foram recebidos por tiros e granadas dos combatentes judeus, que lutaram bravamente nas ruas e nos telhados. Os nazistas recuaram no primeiro dia, mas voltaram com mais força e violência nos dias seguintes.

See page for author, Public domain, via Wikimedia Commons


A revolta durou quase um mês, até 16 de maio de 1943, quando os nazistas explodiram a Grande Sinagoga de Varsóvia, símbolo da cultura judaica na cidade. Eles também incendiaram e demoliram quase todos os edifícios do gueto, matando ou capturando os judeus que resistiam ou se escondiam. Cerca de 13 mil judeus morreram durante a revolta, a maioria queimada ou asfixiada. Outros 50 mil foram deportados para campos de concentração ou extermínio. Apenas alguns conseguiram escapar pelos esgotos ou com a ajuda da resistência polonesa.


A Revolta do Gueto de Varsóvia foi a primeira e maior rebelião civil contra os nazistas na Europa ocupada. Ela mostrou ao mundo a coragem e a dignidade dos judeus que se recusaram a aceitar passivamente o destino imposto pelos seus algozes. Ela também inspirou outros levantes em outros guetos e campos, como o de Sobibor e o de Treblinka.


Passados exatos 80 anos da Revolta, o antissemitismo não acabou.

Ele ainda existe, cada vez mais forte em diferentes partes do mundo, manifestando-se em atos de violência, vandalismo, negacionismo ou difamação contra os judeus. Segundo uma pesquisa da Liga Antidifamação, o antissemitismo cresceu no Brasil nos anos de 2014 a 2022, registrando uma denúncia por semana nos últimos quatro anos. Além disso, houve casos de exibição de suásticas, divulgação de conteúdos neonazistas e citação de Hitler em espaços públicos e privados. O antissemitismo é considerado crime de discriminação de raça, cor, etnia e religião no Brasil, com pena de até cinco anos de prisão. Em 2021, o país aderiu à Aliança Internacional de Memória do Holocausto como país observador. Por isso, é importante lembrar e homenagear as vítimas e os heróis da Revolta do Gueto de Varsóvia, que lutaram pela sua vida e pela sua liberdade. Eles nos ensinam que devemos combater o antissemitismo e defender os direitos humanos de todos os povos.


Fontes:


Posts recentes

Ver tudo
Tzom - Jejum de Tevet 

O Jejum do 10 de Tevet (Assará BeTevet) - este ano, dia 30 de dezembro; começa às 4 e termina 18:26 - é uma data que encapsula camadas de luto na história judaica, servindo tanto como uma memória de u

 
 
 
Rosh Chodesh Tevet

(19/12/25 e 20/12/25 ao por do sol)   Por Marcos Wanderley   Tevet na História e no Talmud: entre a Luz e a Sombra   Tevet é marcado por eventos profundos. O mais conhecido é o jejum do 10 de Tevet (A

 
 
 
Chanuká

Chanuká  é uma festa judaica, de forma luminosa, em que a identidade espiritual sobrevive mesmo quando cercada por pressões que tentam apagá-la. A cada chama, uma lembrança: resistir não é só vencer b

 
 
 

Comentários


Fundada no dia 17 de abril de 1947, a Sociedade Israelita da Bahia – ou simplesmente SIB - é uma associação civil brasileira, beneficente e filantrópica que procura promover culto, ciência, cultura, educação, esportes, recreação e beneficência, sob a égide da religião judaica.
A SIB também está pronta para representar e proteger os membros da comunidade judaica local como tais quando necessário.

REDES SOCIAIS
  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon

(71)3321-4204

 R. das Rosas, 336 - Pituba, Salvador - BA, 41810-070

bottom of page