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Parashat de Pessach Chol Hamoed

Em todas as festas judaicas, falando cabalisticamente, temos um momento especial no universo, em que uma janela cósmica se abre para que possamos receber uma luz divina, enquanto dura a celebração, com Pessach não é diferente. A hagadá vem nos dizer que em todas as gerações as pessoas têm a obrigação de verem a si mesmas como se tivessem saído do Egito, isso mostra claramente que o Êxodo não é apenas um evento do passado, mas um que ocorre continuamente com cada um de nós e que mais do que isso, recebe um fluxo maior de energia todos os anos nas noites do sêder.


Verificando o texto da Torá de forma mais profunda, percebemos que o Egito não é só um território ou um contexto histórico, ele é apresentado como um sistema: mental, espiritual e emocional. E o ponto central de Pessach não é só sair desse sistema, como quem muda de um país ou de uma localização, é perceber que aquilo que parecia absoluto na minha vida no dia a dia, na minha realidade, nunca foi real, a partir do momento em que esta percepção é tomada com total clareza, a própria noção de liberdade ou libertação ganha outro nível de concepção, com muito mais coerência.


É tradicional afirmar que Pessach é a festa da liberdade, eu diria que esta afirmação é verdadeira até certo ponto, mas é superficial contextualizar esta ideia limitada, do ponto vista moderno.  A pergunta que precisamos fazer, realmente: liberdade de quê, exatamente? Se a gente analisa o texto com cuidado, fica claro que o problema do povo de Israel no Egito não se resume a escravidão física, a dimensão física que eles estão vivendo é só uma camada, mais evidente, se você lê nas entrelinhas, com cuidado, você vai perceber que o povo estava completamente condicionado, não se tratava só de trabalhar para o Faraó, tratava-se de você não conseguir ter uma concepção de mundo fora da cultura egípcia, os israelitas não imaginavam que existia outra realidade, só tinham ciência  daquela que eles vivenciavam, ou seja, é mais grave do que estar  acorrentado externamente, era prisão mental e psicológica. A pessoa neste estado passa a naturalizar as circunstâncias da sua vida. É necessário entendermos que o texto está descrevendo um processo de ruptura com este conceito limitante de perceber o mundo.


O hebraico vem aprofundar o entendimento: a palavra para Egito é Mitzraim, que vem da raiz metzar,  que significa limitação, estreito, aperto. O Egito não é só um nome próprio aqui, não se limita ao nome de um país, é um conceito, é um estado de consciência estreito, limitado. Quando o texto fala em sair de Mitzraim, ele não está descrevendo o deslocamento geográfico, ele está falando de uma transição de consciência comprimida, apertada, para uma consciência ampliada, então Egito representa no fundo uma ideologia em que a gente experimenta a realidade, e nós precisamos lutar contra essa mesma realidade, a partir desse conceito surge outro dilema, da história para o presente: quantas coisas hoje nós aceitamos na nossa vida, não que sejam de fato verdadeiras, porém nós condicionamos esse atual Egito (mundo moderno) que nos aprisiona, sobretudo se eu não consigo sonhar com outras coisas, eu estou em Mitzraim.


Nem tudo que parece lógico, vai dizer a Cabalá, é verdadeiro, na realidade é uma ilusão, no contexto da matzah e o Pessach, temos que sair rápido do Egito, agora faz sentido todos os anos celebrar  Pessach: a gente não está celebrando uma narrativa histórica, a cada ano ou a cada ciclo, nós temos a possibilidade de identificar qual forma atual de limitação, aperto, que estamos vivendo, e a partir daí, romper paradigmas.


Que tenhamos um Chag Pessach Sameach!  

 

Referências bibliográficas: Sermões, Luz infinita, Conhecimento judaico via redes sociais (Youtube, instagran e outros).

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