Tishá B'Av
- Marcos Wanderley

- 16 de jul.
- 2 min de leitura
De 22 para 23 de julho de 2026 (17:07(22)-17:47(23)
Tishá B'Av ocupa um lugar singular no calendário judaico. Neste dia recordamos a destruição do Primeiro e do Segundo Templo de Jerusalém, mas a tradição de Israel não nos convida a permanecer presos ao passado. Ao contrário, ela nos ensina que a memória deve transformar-se em responsabilidade e esperança.
Os sábios observaram que um edifício sagrado não é sustentado apenas por suas pedras, mas pelos valores que unem um povo. Quando a dignidade humana, a justiça e o respeito mútuo são fortalecidos, a presença da Shechiná encontra espaço para habitar entre nós. Por isso, Tishá B'Av não é apenas um dia de recordar o que foi perdido, mas de refletir sobre aquilo que cada geração pode reconstruir.
O profeta Jeremias chorou pela destruição de Jerusalém, porém suas palavras jamais abandonaram a esperança. A dor expressa nas Lamentações não é um sinal de desespero, mas a certeza de que a aliança entre D's e Israel permanece viva, mesmo nos momentos mais difíceis da história.
O Talmud ensina que aquele que lamenta Jerusalém terá o mérito de contemplar sua reconstrução. Essa reconstrução começa em pequenas atitudes: uma palavra de paz, um gesto de acolhimento, o estudo da Torá, a prática da tsedacá e o fortalecimento da vida comunitária. Cada mitzvá torna-se um tijolo espiritual na edificação de um futuro melhor.
Segundo a halachá, o jejum inicia-se ao pôr do sol da véspera e termina após o anoitecer do dia seguinte. Durante Tishá B'Av evitam-se comer e beber, banhar-se por prazer, usar perfumes e cremes, calçar sapatos de couro e manter relações conjugais. Também é costume sentar-se em bancos baixos ou próximos ao chão até o meio-dia, reduzir as saudações habituais, ler a Meguilat Eichá (Lamentações), recitar as Kinot e dedicar-se ao estudo de textos relacionados à destruição do Templo e ao processo de teshuvá. Após o meio-dia, retorna-se gradualmente à postura habitual, preservando o espírito de recolhimento até o término do jejum.
Que neste Tishá B'Av possamos transformar o jejum em reflexão, a lembrança em aprendizado e a saudade em compromisso. Que D's fortaleça o povo de Israel, conceda paz a Jerusalém e inspire cada um de nós a contribuir para uma comunidade cada vez mais unida, justa e fraterna.
Que possamos merecer ver Jerusalém reconstruída, em paz, união e alegria. Amém.

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