Carta aberta sobre o 7 de outubro e sobre quem eu escolhi ser!
Hoje é 7 de outubro.
E, talvez pela primeira vez, eu viva essa data de um lugar diferente.
Não apenas como alguém que acompanha de fora a dor de um povo, mas como alguém que escolheu fazer parte dele.
Minha identidade judaica ainda é jovem em muitos sentidos. Ela está sendo construída em cada estudo, em cada Shabat, em cada brachá, em cada pergunta, em cada passo desse caminho.
Mas algumas coisas, mesmo tão recentes, já são avassaladoramente profundas.
E uma delas é entender que pertencer ao povo judeu não significa receber apenas a sua beleza.
Não é apenas acender velas, aprender tradições, celebrar festas, estudar textos antigos ou encontrar sentido em uma história milenar.
É também receber a memória.
É entender que existem dores que aconteceram antes de mim, mas que, a partir do momento em que digo “meu povo”, passam também a atravessar a minha própria história.
E me trazem a responsabilidade de carregá-las, honrá-las e, acima de tudo, reverenciá-las.
O 7 de outubro é uma dessas dores.
É impossível pensar nesse dia sem pensar nas vidas interrompidas, nas famílias destruídas, nos que foram arrancados de suas casas, nos que não voltaram e nos que voltaram carregando marcas que talvez nunca desapareçam por completo.
Mas, nesse meu caminho, eu também fui entendendo algo muito forte sobre o judaísmo:
O povo judeu não é definido pelo que sofreu.
É definido também pela coragem de continuar.
Continuar acendendo velas.
Continuar celebrando o Shabat.
Continuar estudando a Torá.
Continuar construindo famílias.
Continuar rezando ao seu D’us.
Continuar vivendo.l e prosperando.
E é justamente isso que mais me toca hoje.
Saber que, tantas vezes ao longo da história, tentaram transformar o povo judeu apenas em memória. Mas nós ainda estamos aqui.
Três anos depois do 7 de outubro, ainda estamos aqui.
Oitenta e um anos após os horrores do Holocausto, ainda estamos aqui.
Depois de perseguições, expulsões, pogroms, guerras e tantas tentativas de nos apagar… nós ainda estamos aqui.
Nós SEMPRE estivemos aqui.
E eu, que não nasci judia, mas escolhi ser, começo a compreender o peso — e também a honra — de carregar essa responsabilidade.
A responsabilidade de:
lembrar.
Honrar.
Continuar.
Escolher a vida sem apagar a dor. Porque não é apenas dizer que pertenço. É sentir que a história desse povo também me atravessa.
A alegria desse povo me pertence.
A dor desse povo me importa.
Porque esse povo é o MEU POVO.
Hoje, no dia 7 de outubro, Eu lembro.
Eu honro.
E escolho continuar.
E digo, com um significado que talvez eu nunca tenha compreendido tão profundamente quanto agora:
Am Israel Chai.
O povo de Israel vive!!!
Enviado por George Waxman, escrito por sua sobrinha de consideração, Constança



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