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Notícias de Israel

SERÀ QUE É O FIM DA GUERRA? - Uma hora e pouco antes do final do ultimato em que o Trump prometeu "acabar com a civilização iraniana", o presidente americano anunciou um cessar fogo de 2 semanas. Após 40 dias de guerra e destruição, este foi o logro da mediação em Islamabad, do Paquistão, Turquia e Egito. Os dois primeiros são inimigos de Israel e é evidente que Israel não esteve presente nas negociações com o Irã pelo cessar fogo.


O cessar fogo veio de surpresa, até mesmo para o primeiro ministro israelense, Netanyahu que alegou que foi informado, pois fala diariamente com o Trump. De fato, de um governo do Likud, que deve ser nacionalista, Netanyahu tronou Israel um país vassalo dos Estados Unidos.


Na madrugada em Israel, Trump anunciou que os EUA alcançaram seus objetivos e cessará o fogo por duas semanas, para continuar o dialogo e conseguir acordo para parar a guerra. Já de inicio os dois lados divergem. EUA e Israel dizem que a Hizballah do Líbano não faz parte de acordo e o Irã, com os mediadores o Egito e Paquistão dizem que sim. Hizballah faz parte do acordo.


Quando acordamos, cedo na manhã do último dia de Pesach, fomos surpreendidos com as novidades. O premier israelense não se pronunciou. Deu uma frase em inglês, para o gringo ouvir e o povo de Israel não teve nenhuma noticia do que aconteceu, nem do Netanyahu, muito menos do Ministro da Defesa, Israel Katz. Só no noticiário das 20:00 hs, projetaram um vídeo do Netanyahu falando que Israel alcançou seus objetivos no Irã. Enfraqueceu esta nação e Israel é mais forte do que nunca. Tanto ele como o Trump não falam a verdade.


Não há dúvida de que as Forças de Defesa de Israel (DFI-Tsahal) agiiram de forma espetacular a 2.000 km do território israelense, com a ajuda e participação do exército americano. Causaram grandes danos e destruição em lugares de suma importância, a marinha e a aviação iraniana foram aniquiladas, mas o regime iraniano continua lançando seus mísseis de fragmentação (para causar maiores danos a população israelense), com o auxilio de sua proxie no Líbano, a Hizballah e a outra do Iêmen, os Houtis.


EUA e Israel tiveram 4 objetivos principais: -Entrega dos 440 kg. de urânio enriquecido e largar o plano nuclear. -Parar o projeto de mísseis balísticos. – Parar o financiamento das proxies: Hizballah, Hamas, Houtis e outros. - Não penalizar os que protestaram e foram presos pelas forças de segurança. Também tinham a ideia de que eclodiriam novos protestos com o enfraquecimento do regime e conseguiriam muda-lo.  Infelizmente, nenhum dos objetivos foi alcançado. O líder iraniano, Ali Khameni foi morto logo no inicio e seu filho e sucessor Mojtaba Khamenei, está moribundo e quem controla o país, são as Guardas Revolucionárias, ainda mais radicais. O urânio enriquecido ainda está no Irã Já se fala em dar seguimento ao enforcamento de protestantes iranianos e o povo não saiu as ruas, como se esperava.


O que sim conseguiram, a abertura da importante via marítima, do Estreito de Ormuz. Só que parece que há consentimento de que o Irã se apoderará desta via e cobrará, junto com Omã (do outro lado do Estreito) 2 milhões de dólares por cada navio que ali passar e lá passam cerca de 150 navios por dia. Grande fonte de renda. Antes o trânsito ali, era livre.


Toda guerra tem que ter sequência num acordo político. Enquanto as Forças Armadas de Israel foram brilhantes na sua atuação no Irã e retrocederam o poderio econômico e miltar persa por anos, não se vê uma boa perspectiva para acordo com o intransigente governo iraniano. Este não temeu, por sua convicção religiosa, fatalista, nem as barbaras e até vulgares ameaças do presidente Trump. Um exemplo: "se não chegar a um acordo, vou destruir esta civilização de 3.000 anos". Mas, em seguida diz que eles são bons.  O presidente americano tem apelido de TACO, isto é, Trump Always Chikens Out, ele ameaça e volta atrás. Trump tem aparentemente boas relações com Israel.


Escrevo aparentemente pois Trump gosta de uma pessoa, do Trump. Tanto é que mesmo falando das boas relações com o Netanyahu e até se envolve, sem nenhuma vergonha em assuntos internos de Israel, se deve ou não conceder anistia ao Netanyahu por 3 acusações de corrupção, Trump e os EUA ignoraram Israel. A mediação com o Irã foi realizada no Paquistão, país inimigo de Israel, sem a presença de israelenses e os intermediadores foram além do Paquistão, a Turquia e o Egito.


A população israelense demonstrou sua firmeza. Mesmo sofrendo 1.435 mísseis do Irã e o norte do país debaixo de 4.400 foguetes e drones da Hizballah, não se alarmou. Finco o pé, obedeceu às autoridades em entrar nos abrigos e assim salvando de perdas maiores. No final morreram 42 pessoas, entre eles 14 soldados e foram feridas 7.183 pessoas, a grande maioria por entrar em estado de choque. A maior parte foi de perdas materiais.


Tanto Netanyahu como os países do Golfo: Bahrein, Emirados Árabe Unidos, Qatar e Arabia Saudita estavam contra o cessar fogo e queriam a continuação da guerra até conseguir a mudança do governo. Que não seria possível apenas por aviões. É a população que devia sair as ruas e se levantar contra os tiranos que os governam a mão de força e medo já 47 anos. Tsahal também preferiria que Israel lutasse por mais 2 semanas também no Líbano contra a Hizballah. Até um deputado do partido do Bem Gvir, que é da coalizão, chamou o Trump de "Pato Donald' por entrar no cessar fogo.


Mesmo que Israel luta contra os fanáticos xiitas e está na vanguarda da luta do mundo Ocidental, há crescentes ondas de antissemitismo (injustificados), mesmo nos Estados Unidos. Netanyahu se alinhou completamente ao Trump e assim Israel perde a simpatia dos Democratas. Mesmo entre os republicanos, há os radicais da direita que se manifestam contra Israel, como Tucker Carlson. Na terça-feira (7) o New York Times publicou uma pesquisa como o Netanyahu em 11 de fevereiro esteve em Washington e sob alegações falsas convenceu o Trump de que numa guerra poderiam mudar o regime iraniano. Mesmo Marco Rubio, simpatizante de Israel , J.D. Vance e o chefe da CIA, estavam contra.


Tanto o Trump como o Netanyahu enfrentam neste ano eleições e gostariam de presentear seu público para ganhar votos. Só as próximas semanas dirão se o cessar fogo vai se transformar no fim da guerra ou não e se este jeton se transformará nas urnas em jeton favorável.


CONFERÊNCIA DE ÁRABES DA AMLAT, EM SÃO PAULO - Na semana de 24 a 31 de março, foi realizada em São Paulo uma conferencia organizada pela Frente Popular da Libertação da Palestina (FPLP). Foi sob o nome de Conferência Contra a Escalada do Imperialismo Global na qual os militantes, organizações e povos da América Latina são chamados a debater, discutir e fortalecer os laços da resistência e ligar o esforço da Palestina, do mundo árabe e da América Latina, contra o imperialismo e o Sionismo. Entre os presentes, haviam também membros do Congresso Nacional brasileiro e da Argentina.


PAQUISTÃO INTERMEDIA ACORDO - Este país que está em guerra com o Afeganistão, quer se mostrar apaziguador no mundo islâmico. Paquistão tem arma nuclear e hostilidade com a Índia que também tem este poder. A atual liderança paquistanesa tem boas relações com o governo americano e também com o Irã. Isto não impediu que o Irã atacasse a Arabia Saudita, que tem acordo de segurança com o Paquistão assinado há poucos meses e foi " esquecido" na hora H...


ALGUMAS FRASES DO TRUMP - Eles tem ainda 48 horas, antes que o inferno vai explodir sobre eles"(5). " Abram o F***g estreito de Ormuz, seus bastardos loucos ou vocês viverão num inferno. Vocês verão". (6). Em entrevista ao WSJ (5) "Se não chegarmos a acordo até terça-feira a noite, eles não terão nenhuma usina elétrica e nenhuma ponte, vocês voltarão a idade da pedra". Assim se pronuncia o presidente dos EUA.  


David S. Moran, de Israel 

 

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