Notícias de Israel
- David S. Moran
- 28 de mai.
- 7 min de leitura
TRUMP NÃO ENTENDE A MENTALIDADE ÁRABE - presidente americano, Trump, faz muitas declarações, muitas delas até contraditórias. Esta semana, até foi anunciado que os EUA e o Irã chegaram a um acordo. Depois, notou-se que ainda não há acordo, mas apenas cogitação neste sentido. De um lado, Trump anuncia que não permitirá que o Irã tenha urânio enriquecido e que o que tem deverá ser entregue a outro país para guardar. Por outro lado, o Irã anuncia que este assunto, o do urânio enriquecido, não está na pauta das negociações. Trump declarou, depois de voltar da China, que “o relógio continua o tic-tac e o Irã tem que se apressar, senão nada restará deste país”.
Na terça-feira (26), os EUA atacaram alvo militar perto de Ras Bandar, no Irã. Os iranianos não se amedrontaram e deram o troco, atacando uma usina nuclear em Abu Dhabi. É incrível que o Irã, que apanhou tanto dos americanos e israelenses, não se atemorize e continue lançando ameaças contra os EUA. É sabido que no Irã há duas correntes: a do presidente e seu ministro do Exterior, que são mais cômodos e, do outro lado, os radicais dos Guardas Revolucionários e de Mujtaba Khomeini, que sucedeu seu pai, mas foi gravemente ferido no ataque israelense e, depois do ataque, nunca mais foi visto. Ele “fala” através de intermediários. Os americanos reclamam que o acordado com o ministro Abbas Araqchi logo em seguida é anulado pelo comandante das Guardas Revolucionárias, Ahmad Vahidi.
O Irã insiste num acordo de 14 itens: retirada das tropas americanas da região. Os EUA se comprometeriam a retirar o fechamento do Estreito de Hormuz e, em troca, o Irã permitiria livre navegação comercial na região. Quer o descongelamento de 24 bilhões de dólares. Há falta de confiança entre ambos. O líder supremo, Mujtaba Khamenei, disse que, de agora em diante, os slogans “Morte aos Americanos” e “Morte a Israel” serão os slogans da nação islâmica.
O Irã zomba de Trump, sem nenhum complexo de inferioridade. Na quarta-feira (27), o governo iraniano anunciou que já tem em mãos o primeiro rascunho do acordo com os EUA. O governo Trump imediatamente respondeu que esta afirmação é falsa. Acrescentou: “O Irã está desesperado para chegar a um acordo. Acabamos com sua Força Aérea, Marinha e sua moeda nada vale”. Mas, com suas ações, nota-se que Teerã não se amedronta.
Se chegar a um acordo, parece que o Irã sai fortalecido. Nenhum dos objetivos dos EUA e de Israel foi alcançado. O projeto do urânio enriquecido não foi destruído. Mesmo se o Irã concordar em entregar este urânio, quem garante que entregou todo o material que tem? O projeto dos mísseis balísticos não foi destruído e a troca do regime, com rebelião popular, não foi alcançada. A grande diferença entre um regime ditatorial, como é o do Irã, que governa o país há 47 anos (desde 1979), é que o regime clerical islâmico não se importa com seu povo. O sacrifício é louvado. No regime democrático, o presidente tem que se preocupar com as eleições e tentar manter a maioria dos parlamentares a seu lado. Trump não goza de popularidade e tem que reverter a situação.
Numa outra frente, a do Líbano, o cessar-fogo que foi imposto a Israel por Trump, em 16 de abril, não foi efetivado pela organização terrorista Hezbollah. Esta surpreendeu a todos e ataca Israel com drones explosivos com fibra ótica, que são difíceis de serem detectados e já causaram a morte de 12 soldados e dezenas de feridos. Israel não pode reagir à altura por impedimento de Trump. Israel está desenvolvendo alguma resposta a estes drones, mas, até encontrar a solução, sofre perdas. A última foi uma soldada de 20 anos.
Evidentemente que o Hezbollah se aproveita de Trump ter amarrado as mãos de Israel, o embaraça e o coloca em situação impossível. Os dirigentes no norte de Israel reclamam, mas suas reclamações caem em ouvidos tapados. Ninguém do governo foi ao norte, não lhes dá a devida atenção e agora Netanyahu está ocupado com as próximas eleições (que deverão ocorrer em setembro ou outubro) e em como satisfazer os ultraortodoxos. Estes não se alistam, mas recebem verbas, enquanto soldados têm que fazer coleta de verbas para comprar capacetes ou vestes à prova de bala. Como diria Boris Casoy: “Isto é uma vergonha”.
Talvez a Faixa de Gaza não esteja nas manchetes, mas nada do que levou ao acordo de cessar-fogo foi alcançado. Até o antigo enviado da ONU para a Faixa de Gaza (2015–2020), o diplomata búlgaro Nikolay Mladenov, que atualmente preside o “Conselho da Paz”, culpa a organização terrorista Hamas por não cumprir o acordo. Principalmente, não depôs as armas. Pelo contrário, continua a reconstrução da Faixa de Gaza. Mesmo assim, o relatório aponta que houve um acréscimo de 70% nos produtos que entram em Gaza, como água, alimentos, saúde e infraestrutura. Desde a assinatura do acordo, 300 mil toneladas de ajuda entraram em Gaza. Aliás, o Hamas se apodera da maioria dos produtos e os revende sem autorização.
Os serviços de Inteligência de Israel acompanham o rearmamento e os preparativos do Hamas e buscam impedi-los. Nesta guerra de rato e gato, o Serviço de Inteligência deu dados precisos do comandante militar do Hamas, Az a Din al Hadad, e ele foi morto. Em poucos dias, seu lugar foi preenchido pelo ex-chefe do Serviço de Inteligência do Hamas e um dos mentores do ataque de 7/10 contra Israel, Muhammad Odeh. Este também foi detectado entrando num apartamento no bairro de Rimal, em Gaza, e liquidado em menos de uma semana. Como disse Netanyahu: “Perseguiremos todos os envolvidos e responsáveis pelo 7/10 e os mataremos”.
Como se vê, Trump não conhece ou entende a mentalidade árabe e muçulmana. Com todas as negociações que faz, um país, que ele mesmo disse sobre o Irã: “nunca venceu uma guerra, mas é forte nas negociações”. Ele, que já deve conhecer o extremismo de certas nações da região, disse: “É mandatório que todas as nações muçulmanas envolvidas no acordo com o Irã se juntem ao Acordo de Abraão, com Israel”. Ele se referiu ao Paquistão, Arábia Saudita e Qatar, que não têm relações diplomáticas com Israel, bem como ao Egito, Jordânia e Turquia, que têm relações formais com o Estado judeu. Os dois primeiros têm relações geladas; ninguém destes países visita ou conhece Israel. A Turquia, antiga aliada de Israel, desde o governo Erdogan, que “reina” no país há 20 anos, entrou num processo de islamização e hostilidade frente a Israel. Trump não pode falar abertamente disso. Poderia tentar a portas fechadas. Quando diz abertamente, gasta cartuchos e se desgasta. Isto não é negócio, é política e, infelizmente, hostil.
DR. UDI LEVY ACHA QUE ERRAMOS NO TRATO COM O IRÃ - O Dr. Udi Levy foi o chefe da unidade Tzilzal do Mossad, que tratou da luta econômica contra organizações terroristas e os países que as apoiam. A luta que Israel e os EUA combateram no Irã, contra as indústrias siderúrgicas, tecnológicas e infraestruturas econômicas que mantêm o poderio das Guardas Revolucionárias, bem como o congelamento do dinheiro iraniano nos EUA, são muito importantes. Os iranianos recrutam jovens de 12 anos e lhes pagam salários de 35 dólares (valor alto no Irã). Isto mostra que eles ainda contrabandeiam dinheiro através de petroleiros que passam em Hormuz. Israel e os EUA têm que atingir os depósitos de dinheiro vivo do Irã. Quando os bombardearem e o dinheiro voar para todo lado, a população sairá às ruas. Os países vizinhos do Irã veem nele uma ameaça.
A Europa não está com Israel. Ela foi conquistada por islamistas e teme represálias do Irã. Há 4.000 familiares de terroristas das Guardas Revolucionárias vivendo na Europa e nada é feito contra eles.
O Irã, em consequência do acordo com Obama, em 2015, entendeu que deve criar um sistema financeiro que evite sanções. O sistema se baseia na China, nos países do Golfo Pérsico e no sistema financeiro europeu. O comércio de drogas tornou-se um dos pilares deste sistema, que envolve o Hezbollah também e que usou muito a América Latina.
A unidade Tzilzal foi desativada depois que o Dr. Udi Levy saiu com algumas acusações e houve pessoas que não gostaram destas críticas.
GOVERNO SÍRIO NÃO PROTEGE SUAS MINORIAS - Um recente estudo americano revela que o governo de Ahmad al Sharaa falha em dar segurança às minorias do país. Agentes, mesmo do governo, agiram violentamente, inclusive executando sem tribunal pessoas da fé alawita, drusos, cristãos e outras etnias. Entre março e junho de 2025, assassinaram milhares de alawitas e drusos. Isto continua em menor escala em 2026, principalmente contra alawitas, que são uma corrente do islã à qual pertencia a dinastia dos ex-presidentes Assad. Os atos, além de assassinatos, incluem também o rapto de mulheres alawitas e seus estupros.
A FESTA DO SACRIFÍCIO - Esta semana, o mundo muçulmano comemorou o Dia do Sacrifício. Muçulmanos do mundo todo peregrinam à Arábia Saudita, berço do Islã, pelo menos uma vez na vida. Fazem sete voltas ao redor da Caaba, que é a pedra negra em Meca, pedindo perdão a Deus. Apesar dos ventos de guerra e das ameaças do Irã, mais de 1,5 milhão de muçulmanos fizeram a peregrinação, inclusive 4.500 árabes israelenses que recebem autorização pelo Waqf da Jordânia.
BATALHÃO HAREDI NÃO QUER SOLDADAS POR PERTO - Num posto militar ocupado por batalhão de ultraortodoxos, tinham que instalar sistema vital que é manuseado por soldadas. O posto é em território libanês e, ante a recusa dos ultraortodoxos em permitir que a instalação deste sistema vital fosse feita por soldadas, o sistema não foi colocado. Mais uma vergonha incompreensível.
BLOGUEIRO IEMENITA ACUSA OS PAÍSES ÁRABES - O jornalista e blogueiro iemenita Luai Ahmed, do Iêmen, é conhecido por atacar os antissemitas e ser favorável a Israel, país que visitou em 2023, logo depois do ataque do Hamas, e em 2024. Ele foi convidado a dar palestra na Suécia e aproveitou para lá se refugiar. Escreve para jornais suecos e outros. Ele se revolta com as críticas feitas no mundo contra Israel. “Como isto é possível se no Iêmen 500 mil morreram de fome, os Houthis gastam milhões na compra de bombas e não de comida para os famintos? 150 mil morreram no Sudão, 500 mil na Síria e nada de críticas. É um absurdo o Qatar entrar na Comissão de Direitos Humanos da ONU, quando hospeda os líderes do Hamas em seus hotéis de luxo. Israel foi condenado pela ONU 188 vezes e o Irã só uma vez.”
PROGRAMA DE EXCELÊNCIA “TALPIOT” É O DIAMANTE NA COROA - O programa foi idealizado depois da Guerra do Yom Kippur (1973). Um estudo de ex-participante com professor da Universidade de Stanford revela que 1/10 dos unicórnios israelenses foi criado por graduados do Talpiot, o maior do mundo, cinco vezes maior do que o do próprio Stanford. O programa foi criado para detectar jovens inteligentes sob os auspícios do Diretório de Pesquisas e Desenvolvimento de material bélico e tecnológico. Entre os graduados, estão os que criaram a Check Point, Wiz, entre outros. Os graduados que fundaram companhias no valor de mais de 1 bilhão de dólares são 3%, enquanto em segundo lugar está Stanford, com 6 graduados para cada 1.000. Nove por cento dos graduados são professores em universidades como Harvard, Stanford, Chicago e outras. Um de cada três graduados que fez doutorado chegou a professor. Durante os anos, mais de 80 graduados chegaram à patente de coronel nas melhores e mais importantes unidades militares.

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