"NUNCA MAIS É AGORA!”
- Sociedade Israelita da Bahia

- há 1 dia
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Sob forte emoção dos chaverim e chaverot presentes no Cemitério Israelita da Bahia, no domingo 25/01, foi realizado o Ato em Memória das Vítimas da Shoá, que começou com todos entoando o Hino Nacional, o Hatikva e o hino dos Partizanim. Em seguida, o Presidente da SIB Mauro Brachmans e o diretor religioso Marcos Wanderley fizeram seus pronunciamentos, cuja íntegra pode ser lida abaixo.
A cerimônia aconteceu no Memorial do Holocausto – projeto do arquiteto Sérgio Kopinski Ekerman, localizado no nosso Cemitério. O Memorial foi uma doação feita pela médica Bela Zausner Z’L em memória de sua mãe, sobrevivente do Holocausto.
A chaverá Bass Cheiva discorreu sobre alguns não judeus nominados por Israel como "Justos entre as Nações" e merecidamente homenageados nesse dia, por terem conseguido salvar muitas vidas, que após a Segunda Guerra resultaram em novas gerações de judeus.
Para encerrar a cerimônia, foram recitadas as orações Eli, Eli e Kadish e foram acesas sete velas por voluntários, sendo uma para cada milhão dos perecidos na Shoá, e a sétima em homenagem às vítimas do "7 de outubro".
Pronunciamento do Presidente da SIB, Mauro Brachmans:
Simon Dubnov, renomado escritor, historiador e ativista judeu, afirmou antes de ser assassinado pelos nazistas: ‘Escrevam e registrem tudo’.
Hoje, no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, lembramos que a Shoá não é apenas um capítulo da história judaica, mas uma ferida aberta da humanidade. Seis milhões de judeus foram assassinados pelo regime nazista, vítimas de um ódio sistemático, institucionalizado e letal.
Recordar é um dever moral. É um compromisso com as vítimas, com os sobreviventes e com as futuras gerações. A memória é a nossa maior arma contra a negação, a distorção e a repetição do ódio.
Enquanto houver quem tente minimizar ou negar o Holocausto, nossa resposta deve ser clara: lembrar, educar e testemunhar.
Aqui permanecemos — cada vez mais fortes. Am Israel Chai!”
Pronunciamento do Diretor da Sinagoga da SIB, Marcos Wanderley:
Reflexão sobre o Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto (Shoá) - 27 Janeiro de 2026
Queridos Chaverim ve Chaverot,.
Estamos reunidos hoje, neste lugar sagrado de descanso eterno, para cumprir um dos mandamentos mais profundos da nossa tradição: a memória. O Zikaron.
É uma honra estar aqui, neste local de paz e memória, para lembrar juntos. Nossa tradição judaica nos ensina que a vida e a lembrança estão profundamente entrelaçadas.
Hoje, enquanto o mundo marca uma data internacional, nós nos reunimos em um espaço que fala diretamente ao nosso coração. Aqui, entre essas árvores e pedras, não estamos rodeados apenas por silêncio. Estamos cercados por histórias.
Cada vida que partiu durante aqueles anos de escuridão era um universo inteiro: tinha o sabor da comida de Shabbat, o calor de uma canção de ninar, o som de discussões na mesa de jantar, o sonho de um futuro. A maior vitória que temos sobre o esquecimento é recolher essas histórias. É lembrar não apenas como eles morreram, mas, principalmente, como eles viveram.
Este cemitério é um guardião dessas histórias. Ele abriga tanto aqueles que sobreviveram e construíram novas vidas, quanto a memória simbólica dos que não têm um lugar físico de descanso. Eles nos legaram algo precioso: o imperativo de seguir em frente com fé e resiliência.
Por isso, nossa memória hoje não é um peso que nos paralisa. Ela é uma semente que plantamos para o futuro. Lembramos para que a bondade seja mais ousada, para que a justiça seja mais ágil, para que o respeito pelo próximo seja a regra, não a exceção.
Que possamos honrar cada uma das vidas que comemoramos hoje da maneira mais significativa: vivendo os nossos valores com alegria e determinação. Construindo um mundo onde a dignidade humana seja inegociável. Sendo, nós mesmos, a resposta viva ao ódio que um dia tentou calá-los.
Que o Eterno, em Sua infinita misericórdia, acolha as almas dos justos e mártires no feixe da vida eterna. E que nos dê a nós, os que permanecemos, a coragem, a claridade e a força para sermos guardiões fiéis desta memória sagrada e construtores de um mundo onde o "Nunca Mais" seja, finalmente, uma promessa cumprida.
Zichronam livrachá. Que suas memórias sejam uma bênção, para nós e para toda a humanidade.






























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