Parashat Behar-Bechucotai
- Brasilena Gottschall
- 7 de mai.
- 3 min de leitura
A Porção Semanal Behar (Levítico 25: 1-26) significa "Na montanha". Nela, D'us fala com Moshê no Monte Sinai e entrega leis sociais e econômicas a serem cumpridas para quando o povo entrar na Terra de Israel. Neste sentido, são abordados a seguir quatro pontos importantes: Shemitá, Yovel, leis contra a exploração e o fechamento.
1. A Mitsvá Shemitá refere-se ao ato de semear o campo, podar a vinha e colher o produto durante seis anos consecutivos e, no sétimo ano, dar um descanso sabático à terra trabalhada. O produto, fruto deste ano sabático, virará hefker (público), sendo disponibilizado igualmente a todos: proprietário, servos, empregados, hóspedes e até os animais que por lá transitam. Nesse sentido, a terra pertence a D'us e o povo irá apenas cuidar e usufruir dela. Como promessa, no 6º ano, D'us mandará uma colheita tripla para sustentar os 6º, 7º e 8º anos.
2. Já a Mitsvá Yovel (ano do Jubileu) refere-se ao descanso da terra de Israel depois de sete ciclos de Shemitá, ou seja, após 49 anos de produção. No seu 50º ano, a terra não será cultivada durante um ano sabático. Em Yom Kipur, toca-se o shofar e declara-se Dror (liberdade). Esta Mitsvá menciona duas leis revolucionárias: a da Liberdade, em que todo escravo hebreu é liberto e volta para a família, mesmo com dívida; e a do Retorno das Terras, em que qualquer terra vendida volta para seus donos originais ou herdeiros. Assim sendo, isso significa que você nunca “compra” terra em Israel, apenas a arrenda até o Yovel.
3. Quanto às leis contra a exploração, D’us sinaliza como tratar quem empobreceu. No resgate de terras, a família deve ajudar a recomprar a terra do parente que a vendeu. No resgate de pessoas, a família deve intervir se algum dos seus membros se vendeu como escravo por dívida. Nos juros proibidos ao irmão endividado, ele deve ser ajudado e ninguém deve lucrar com a situação. E, no tratamento do escravo, este não deve ser dominado com dureza, pois é um contratado e não uma propriedade. A base de tudo é: “Porque a Mim pertencem os filhos de Israel como servos” (25:55). Logo, se são servos de D'us, não podem ser escravos de homens.
4. No fechamento, esta Parashá sinaliza três comandos básicos: não fazer ídolos, guardar o Shabat e respeitar o Santuário. Ela cria uma economia com alma, em que a terra descansa, o escravo sai livre, a dívida não é eterna e os juros entre famílias são proibidos. Como mensagem, podemos concluir que liberdade e dignidade não são favores, mas direitos que se renovam, porque nada é nosso: nem a terra, nem o tempo e nem as pessoas. Tudo é de D'us!
A Porção Semanal Bechukotai ("pelos meus decretos" ou "nos meus estatutos") representa a 33ª Porção Semanal da Torá e a última do livro Levítico, 26:3–27:34. Ela é a continuação direta da Parachá Behar, finalizando o terceiro livro de Moshê. Nesta Parachá, podemos considerar três partes mais significativas: as Bênçãos, a Tochachá (admoestação ou "Facho de Luz") e as Leis de valores e doações.
1. Nas Bênçãos, D'us inicia o texto com a condicional: “Se andarem nos Meus estatutos e guardarem Meus mandamentos”, prometendo dez bênçãos principais: chuva no tempo certo, colheita farta, paz na terra, vitória sobre os inimigos, fertilidade, provisão, Presença Divina, relacionamento, identidade e liberdade com dignidade.
2. A Tochachá (repreensão ou advertência) é lida na sinagoga em voz baixa e rapidamente, pois representa a parte mais dura da Torá, sinalizando cinco punições: doença e pânico, seca, animais selvagens, guerra e cerco, e exílio. Nesse sentido, a terra fica desolada e, finalmente, descansa nos Shabatot que o povo não guardou. Contudo, seu término vislumbra esperança, sinalizando que a punição tem como objetivo a correção, e não a destruição total.
3. As Leis de valores e doações finalizam o livro Levítico com regras práticas, tais como o cálculo para resgatar uma pessoa, animal, casa ou campo que tenha sido dedicado ao Templo. O texto termina relembrando que estes são os mandamentos que o Eterno ordenou a Moshê para os filhos de Israel no Monte Sinai.
Enfim, a Parashá Bechukotai representa o “contrato” de Levítico. Sua ideia central sinaliza que todas as nossas escolhas têm consequências: se cumprimos os preceitos, temos bênção, paz e a presença de D'us; se os abandonamos, enfrentamos o exílio e a dor, mas nunca o abandono total do Criador.

Comentários