Taanit BH”B
- Emerson Luiz (Davi benAvraham)
- 23 de abr.
- 3 min de leitura
29ª e 30ª Porção Semanal - (levítico 16:1- 18;30 e 19:1- 20;27) Haftará Acharê (Amós
9:7-15)
A Parashá Acharê Mot descreve os serviços realizados pelo Cohen Gadol (Sumo
Sacerdote) no Yom Kipur (Dia do Perdão), o único dia em que ele podia entrar no local
mais sagrado do templo, Kodesh Hacodashim (Santo dos Santos), um local de muita
santidade, onde ficava o Aaron Hakodesh (Arca Sagrada), já a Parashá Kedoshim, lista
diversas mitzvot “ben adam le'chaverot”, (entre o homem e o seu próximo ou
semelhante).
Assim começam as nossas parashiot: E disse D'us para Moshê depois da morte dos
dois filhos Aron, quando eles se aproximaram diante de D'us e morreram: fala para Aaron, seu irmão, que ele não deve entrar a qualquer momento no Santuário, para que não morra (Levítico 16:1-2), Ele estava advertindo a Aaron, o Sumo Sacerdote, a nunca entrar no Kodesh Hacodashim sem a sua permissão, caso contrário ele morreria, mas qual seria a relação desta proibição com a morte de Nadab e Abiú os dois filhos mais velhos de Aaron?
Explicam os Sábios que os mesmos morreram justamente por que entraram no Santo dos Santos sem a permissão de Hashem, agora que o mesmo estava ensinando a Aaron as leis do serviço no Santuário, Ele relembrou as mortes dos seus filhos para ressaltar a gravidade do assunto, e as pesadas consequências desse tipo de erro.
De acordo com o Talmud, esses filhos de Aaron, em detrimento das suas imprudências, já mereciam ter morrido antes, na entrega da Torá eles não cobriram os rostos e contemplaram a presença divina. Hashem decretou a morte deles, porém adiou o castigo, para não estragar a alegria da entrega da Torá.
Ensinam os Sábios que daqui aprendemos uma importante lição, a enorme diferença, distância, entre o nosso intelecto e o nosso coração, muitas vezes pensamos que é suficiente saber o que é correto e o que é incorreto e automaticamente nossas ações serão de acordo com as nossas convicções, mas a verdade é que apenas saber algo, não é o suficiente para que isso se transforme em atitudes. Vemos isso na prática, quase todos os dias, em exemplos nos quais nosso bem mais importante, a nossa própria vida, é colocada em risco de maneira estupida: todos sabem que dirigir em alta velocidade ou embriagado é um grande perigo para a vida do motorista e dos outros a sua volta, mas os casos de acidentes com motoristas embriagados ou imprudentes aumenta cada vez mais; todos sabem que o cigarro e o fumo causam diversas doenças graves, algumas fatais, mas o número de fumantes segue aumentando, por que então, se é tão racional e logico? Nem todas as pessoas conseguem mudar os seus maus hábitos, pois sabemos das coisas racionalmente, mas nem sempre conseguimos colocá-las no coração, este conceito também se aplica na forma como vivemos as nossas vidas cotidianas, sabemos que vivemos por tempo limitado, que um dia vamos morrer, deixar este mundo, e ninguém sabe quando será esse momento, como ensina o Rei Salomão: “nenhum ser humano sabe sua hora, como um peixe que foi pego na rede ou pássaro que foi preso na armadilha” (Eclesiastes 9:12). Ele ressalta a fragilidade da vida humana, mas se isto é tão obvio, deveríamos aproveitar cada instante da vida, porque deixamos tantas coisas importantes para depois? Porque dedicamos tanto tempo buscando aquisições materiais, quando sabemos que deveríamos estar adquirindo espiritualidade?
Com isso Hashem queria deixar marcado para sempre no coração do gigante
Aaron este ensinamento de uma maneira mais forte, de forma que nunca seria esquecido, por isso mencionou a morte dos seus filhos para que ele utilizasse os seus sentidos, colocasse no seu coração as consequências terríveis deste erro.
Referências bibiográficas: Torá Meir Matsliah Melamed, livro Sermão, Talmud, entre outros.

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