Parashat Lech Lechá 5787

B”H
O que é ir?
O que é sair?
O que é sair para si mesmo?
O que é viajar?
O que é ser estrangeiro?
O que é abençoar?
O que é ser uma benção?
Bereshit (Gênesis) 12:1-17:27
Essa semana estamos lendo na Torá, a terceira porção anual de leituras da Torá, a terceira parashá do livro de Bereshit(Gênesis), chamada Lech Lechá. As palavras Lech Lechá vem do verbo em hebraico Lech que significa ir, sair, andar. Ao usar a palavra Lechá, a Torá repete o mesmo verbo duas vezes, enfatiza e intensifica o movimento de ir, de sair e andar e ao mesmo tempo, indica a direção e o motivo da saída, para si mesmo, na tua direção, por sua própria causa.
A parashá começa com o seguinte texto:
Bereshit (Gênesis) 12:1-2
“O Eterno disse a Avram: Vá embora para ti mesmo, por você mesmo, de sua terra, do lugar de seu nascimento e da casa de seu pai, para a terra que Eu lhe mostrarei…”
“Eu farei de você uma grande nação. Eu lhe abençoarei. Eu farei grande seu nome, e você será uma benção.”
O Eterno propõe a Avram e Sarai algo drástico e revolucionário: sair do seu “lugar” para um lugar desconhecido que o Eterno iria mostrar…
A proposta de Avram e Sarai sair do “lugar” e da sua “terra” está posta em várias camadas: O lugar que Avram estava é físico, é o conhecido, é emocional, é a zona de conforto, é o confortável, é o previsível, é o lógico, é o calculável, é a estase…
O Eterno desafia a Avram e Sarai, a viajar para um outro lugar, uma outra terra que Ele iria mostrar.
Este outro lugar é um físico desconhecido, é instável, é fora da zona de conforto, é aparentemente desconfortável, é imprevisível, é ilógico, é incalculável, é uma “corda bamba”…
Porém essa viagem não é inconsequente e nem auto destrutiva, é um ato de confiança de Avram e Sarai em El Elion(o Eterno), no Sagrado.
No texto da parashá, existe uma descrição detalhada de quais “lugares”, Avram e Sarai teriam que sair em sequência. A primeira palavra ou o primeiro “lugar” é sua terra(Me'artzecha). O que é essa terra? É o lugar construído por Avram e Sarai, fruto de seu esforço e construção por vários anos na terra da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates. É o lugar aonde ele arou, plantou, colheu, construiu casa e trabalho e todos os bens imóveis que ele tinha. O Eterno desafiou a Avram e Sarai a largar todos esses bens imóveis e o lucro deles em busca de um lugar mais próspero, rico e abençoado, mediante a confiança (Emuná).
A segunda palavra ou o segundo “lugar” em sequência que teriam que sair é o lugar de seu nascimento (Umimoladtecha). O que é sair do lugar de nascimento? É emigrar de sua terra natal e se tornar imigrante em terra estrangeira. O Eterno estava convidando a Avram e Sarai, a deixar a terra aonde nasceram mesmo que eles tivessem já toda a estrutura e zona de conforto, a cultura, língua, ritos, costumes conhecidos para ir a um lugar de cultura estranha, língua desconhecida, ritos e costumes diferentes e estranhos e eles teriam que se adaptar a nova realidade com os limites éticos estabelecidos pelo Eterno, criando uma nova cultura para a familia e “nação” deles. Ao fazer isso, o Eterno estava convidando a Avram e Sarai a serem ainda mais abençoados através da confiança(Emuná), sendo imigrantes em terra estrangeira.
A terceira palavra ou o terceiro lugar que Avram e Sarai teriam que sair é a casa dos pais (Umibeit’avicha). O que sair da casa dos pais? É sair da zona de conforto e do ninho criado pelos pais afim de crescer em terra estrangeira. É criar o mesmo ninho em outro lugar e era esse o maior desafio proposto para Avram e Sarai. Criar conforto, sossego, paz, hospitalidade, amor, família, alegria, felicidade em terra hostil e estranha. O Eterno garantiu ao casal que iria sustentar a família, o clã, o tribo, nação deles com a confiança e o amor que eles construíssem.
Para Avram e Sarai, filhos de Heber, o Hebreu, aquele que atravessa os rios, rompe obstáculos, o Eterno propôs uma nova forma de vida, uma revolução, para eles fossem uma benção para si mesmos e para todo mundo, para que eles cumprissem a missão de vida deles. Da mesma forma, o Eterno propõe o “Lech Lechá”, saia para si mesmo, para os filhos de Avram e Sarai, os filhos de Yitzhak e Rivka, os filhos de Jacó, Léa, Rachel, Bilá, Zilpá, para os filhos de Judá, para todos nós, judeus, que temos o espírito nômade dentro de nós. O Eterno nos convida sempre a viajar (Lech Lechá) para nós mesmos, não de forma inconsciente ou inconsequente, mas nos propõe um ato de confiança NEle, para que a nossa vida seja melhor, para que nos possamos cumprir nossa missão de vida, para que nos possamos ser abençoados e para sermos uma benção na vida de todos que estão ao nosso redor.
“Peço desculpas a todos vocês de antemão por quaisquer erros que eu tenha cometido. Fiquem a vontade para fazerem recomendações e correções ao texto”
Saulo Brandão de Aguiar (Beniamim Ben Avraham)
Ken Yehi Ratzon! Amen!
Referências:
Chumash Torá - Rabbi Meir Matzliah Melamed ZT”L (Editora Sefer)
Chumash Torá - Rabbi Aryeh Kaplan ZT”L (Editora Maayanot)
Comentários do Rabbi Jonathan Sacks ZT”L em português(Site da Sinagoga Edmond Safra)
Or HaChayim - Comentários da Torá - Lech Lechá (Editora Sefer)
Torá Comentada - Rabino Samson Raphael Hirsch Z”TL - Devarim - Parashat Lech Lechá
Rabi Dom Yitzhak Abarbanel - Parashat Lech Lechá!
Veshinantam Ano 8, N 410 Parashat Lech Lechá
Rabino Nilton Bonder - Chatzot HaShavua - Lech Lechá: https://youtu.be/1bW_GZe7pmA?is=eEr8gddL9nZR3STf




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