Parashat Shoftim
48° Porção Semanal Livro de Deuteronômio (16:18 - 21:09) Haftará Isaías 51:12 – 52 12
Na Parashá Shoftim, o Criador ordena a nomeação de juízes e guardas em todas as tribos, exigindo uma justiça reta, sem favoritismos ou subornos, pois a corrupção cega até os mais sábios. O texto traz um mandamento intrigante para a época no deserto: as leis sobre a monarquia. Como o povo não tinha um Rei humano, os sábios explicam que Moisés, por profecia, previu o dia em que Israel pediria um monarca. Mas por que desejar um rei se o próprio Eterno é o Soberano absoluto? A resposta está na profundidade da Torá.
Sob a ótica da Cabalá, o "rei" simboliza a nossa consciência interna — a força que governa a alma e os desejos através da (yetzer hará). O Criador reina no universo, mas nos deu o livre-arbítrio para governarmos a nós mesmos. Quando o nosso "rei interno" se desconecta do Divino, o ego assume o trono, buscando apenas o prazer egoísta. É por isso que a Torá adverte o governante a não acumular cavalos (poder), mulheres (prazeres) ou riquezas (ganância), exigindo que ele mantenha a Torá ao seu lado diariamente para guiar suas ações com humildade.
Fazendo um paralelo ou correlação com o assunto, segundo a perspectiva mística do Rav Isaac Luria (o Arizal), que viveu no século XVI as ordenanças sobre a realeza encontradas na Parashá Shoftim possuem um significado que transcende a gestão política terrena. Elas simbolizam o processo de retificação, correção (tikkun) da alma.
Essa leitura se conecta perfeitamente ao mês de Elul, o período de introspecção que antecede Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento. A Parashá Shoftim serve como um portal espiritual: ao exercitarmos o autojulgamento e a retidão agora, preparamos nossa alma para o decreto do novo ano. Acima de tudo, o texto nos lembra que julgar o próximo com bondade (chessed) e empatia abre as portas da misericórdia divina para as nossas próprias vidas.
Referência Bibliográfica: A Torá Melamed, Portal das reencarnações, Estudo da parashá



Comentários