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Parashat Tzav 

B”H


(Como receber convidados, como ser um bom anfitrião, como ter etiqueta durante os encontros, como fazer refeições, como fazer comemorações, como fazer festas...).


A parashá dessa semana é a vigésima quinta porção do ciclo anual de leituras da Torá e se encontra no livro de Vayikrá(Levítico 6:1-8:36). Estamos também na semana do Shabat HaGadol, Shabat que antecede o Pessach.


A palavra Tzav quer dizer:

E orientou, ordenou, organizou...

Quem foi então que orientou, ordenou, organizou a quem?


O Eterno, Abençoado Seja, fala a Moshe Rabeinu, na Tenda do Encontro para orientar aos sacerdotes (os Kohanim, a Arão e seus filhos) como receber as pessoas no Mishkan/Beit HaMikdash (Santuário/Casa Sagrada) e como deveriam ser aceitos os “sacrifícios”, entre aspas...


Por que falar e continuar falando sobre sacrifícios? E o que isso tem haver com a hospitalidade, acolhimento, recepção, alojamento, recebimento, abrigo, que os sacerdotes, Aharon e seus filhos deveriam ter com as pessoas?


A parashá continua com as descrições nos mínimos detalhes dos “sacrifícios” que eram realizados no Santuário (Mishkan) desde a descrição feita na parashat Vayikrá

Colocar “sacrifícios” entre aspas é muito proposital por que essa palavra é uma tradução muito ruim da palavra Korban.


A palavra Korban tem a raiz em três Letras K R B. A mesma raiz da palavra Karev que significa aproximar, achegar, ficar perto.


Uma melhor tradução da palavra Korban para mim seria Refeição, Café da Manhã, Almoço, Jantar, Confraternização, Festa, Comes e Bebes....


São nessas ocasiões que nós nos aproximamos uns dos outros. A Refeição na Torá é elevada ao nível do Sagrado, Separado do Comum apesar da maioria de nós fazermos refeições todos os dias e isso parecer bastante “comum”, mas não deveria ser assim...


São nessas ocasiões que nós nos reconciliamos uns com os outros. É através de refeições que perdoamos, reatamos laços, reforçamos laços, enfatizamos momentos importantes, fazemos proposições para o futuro entre outras coisas...


Chamar “alguém” para fazer uma refeição é o que a Torá enfatiza tanto na parashá Vayikrá quanto na parashat Tzav, por isso há uma conexão incrível entre essas duas parashiot como se numa refeição, a parashat Vayikrá falasse sobre a visão do convidado e a parashat Tzav, a visão do anfitrião. Nos tempos antigos, a aproximação entre as pessoas, a reconciliação era feita através de uma refeição e a Torá mostra isso. A Torá descreve portanto, os tipos de refeições que são feitas, todas conduzidas por um anfitrião, o sacerdote:


Tipos de refeições da Torá:

Olá(A que sobe, Completa) - A refeição em que você oferece para outra “pessoa” e não compartilha dela. A intenção é agradar a outra pessoa e fazer um momento especial para ela. Seria mais ou menos, o que um chef de cozinha faz em um restaurante para os seus convidados. Seria também a refeição que sua mãe, avó, avô, pai ou parente faria com todo o carinho para ver você comer e se sentir feliz! Na Torá, esta é a “refeição” que você oferece por completo, ao Eterno, apesar DEle/DEla não comer e não precisar... O que vale mais é a intenção.


A expressão que a Torá usa para bem-estar é Lereach Nichoach, um Cheiro Agradável. Lembra o momento que nós temos quando alguém faz comida para nós e sentimos o “cheirinho” da cozinha, que sobe... Também a expressão Esh Tamid, um Fogo Contínuo, também mostra o quanto o anfitrião deve se dedicar para apresentar uma refeição ao seu convidado e o quanto isso deve alimentar a relação ou interação entre eles. Deve ser um “fogo” que não deveria se apagar, assim como o amor entre as pessoas. Para o Eterno isso é levado em muito consideração e muita estima...


Vayikrá(Levítico) 6:5-6

“O fogo sobre o Altar deverá queimar continuamente. Ele não deverá se extinguir

Tamid(Continua) - A refeição que sempre acontece, ou seja, Café da Manhã, Almoço e Jantar no nosso país. As vezes nós não damos tanta importância para essa refeições e não valorizamos elas, mas elas são extremamente especiais, pois são a manutenção da Vida, sem elas a Vida acaba. E essa refeição era oferecida a HaShem em nome de todo o povo, em nome de todo Israel. E por que era uma refeição coletiva? Para mostrar simbolicamente que não deveria faltar comida em Israel, na Casa de Israel. Para o Eterno é inadmissível alguém passar fome e sede. A sociedade que possui fome e sede é uma sociedade muito má, segundo a Torá, condenada a destruição futura... Isso lembraria a todos que a obrigação do povo e do Templo era contribuir para que não faltasse comida e bebida em todo o país. Para que não faltasse o básico para todas as pessoas. Esse é a interpretação judaica do texto do profeta Malachi (Malaquias 3:10) que muitos cristãos usam de forma descontextualizada: “Tragam a décima parte de sua plantação ao depósito do templo, para que haja alimento na Casa de Israel, em toda a nação, em “Minha Casa”. Ponham-me à prova, diz o Eterno das Multidões, e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derra­mar sobre vocês tantas bênçãos (chuvas) que nem terão onde guardá-las”.


A Torá também usa as expressões Lereach Nichoach e Esh Tamid, para esse tipo de refeição, por que é agradável a nossa alma e traz muito bem-estar ver e observar as pessoas se alimentando e ficando satisfeitas com a boa comida e a boa refeição que fizeram!


Minchá (Refeição voluntária para ressaltar a importância do momento presente e de se oferecer presentes).


Shelamim (A refeição de alívio após resolver uma dívida ou um problema e assim a pessoa estava em estado em paz).


Todá (A refeição de agradecimento, por um motivo ou acontecimento especial na vida).


Bicurim( A refeição após a conquista dos primeiros frutos ou dos primeiros resultados).


Chatat (A refeição de reparação de um erro involuntário).


Asham ( A refeição de reconciliação após um erro voluntário, proposital).


Chaguigá( a refeição das festas, das comemorações).


Havia muitos outros tipos de “refeições”, como a refeição de um líder que errou, do sacerdote(anfitrião) que errou, dos líderes que erraram, da nação que errou, das festas nacionais, dos eventos universais, dos fenômenos naturais...


Todas essas refeições são acompanhadas das expressões Esh(Fogo) e Lereach Nichoach por que todas elas são um alento a alma e trazem conforto. As plantas e os animais que faziam parte da oferenda deveriam ser sagrados e elevados, senão a morte deles é considerada em vão, algo que é um desprezo para o Sagrado, para HaShem (Chilul HaShem).


Algumas dessas refeições tinham cardápio fixo, outras eram tinham cardápio variado, outras eram feitas conforme as posses da pessoa que estava oferecendo a comida. Cada um só poderia oferecer uma comida que estivesse dentro de suas posses.


Nenhuma refeição oferecida era considerada melhor do que a outra, mesmo que tivessem materiais de diferentes valores. Haviam refeições mais ricas e outras mais pobres. Todas eram iguais se fossem oferecidas de coração. As refeições que não eram doadas de coração, eram indigestas... Todas as refeições tinham receitas que se fossem seguidas e fossem feitas com carinho, eram aceitas com bastante agrado (Um Fogo (Esh) que promove um “cheiro” suave e agradável ou Lereach Nichoach...)


Em todas essas refeições, o papel do anfitrião é receber muito bem os seus convidados com hospitalidade, etiqueta, afeto, carinho, atenção, amor, algo que a parashat Tzav ensina como uma ordenação feita pelo Eterno aos “anfitriões” do lugar Sagrado, os sacerdotes no Santuário ou no Beit HaMikdash. Isso é uma tradição muito antiga no nosso povo endossada pelo nossos pais, Avaham Avinu e Sara Imeinu. A parashat mostra como Moshe ajudou a Arão e seus filhos a se arrumarem e organizarem a Casa Sagrada por sete dias para receber bem os convidados.


Espero que quando você estiver recebendo alguém para uma refeição, se lembre o quanto é sagrado e separado este momento e o quanto oferecer uma refeição a alguém com carinho, com agrado, com amor importa muito. Você está no mesmo papel dos Sacerdotes no Templo quanto recebe alguém para um jantar, almoço ou uma festa. É o mesmo que está no Santuário, no Beit HaMikdash oficiando as refeições (korbanot). A sua mesa de jantar é o lugar aonde você apresenta o Korban ou a Refeição, seja ao Eterno, a sua familia, a sua comunidade e por que não, a sua nação ou humanidade. Tente “elevar” sempre a refeição que você estiver fazendo através de uma benção (Brachá) e uma intenção (Kavaná). As plantas e os animais que estão ali precisam ser “elevados”, senão a morte deles será em vão. Comida é diferente de Alimento! Comida nutre o corpo, a mente, as emoções, a alma e o espírito!! Recorde do papel “sacerdotal” que os seus parentes, seja Avó, Avô, Mãe, Pai, Tia, Tio ou alguma outra pessoa especial que preparava sua comida e o quanto você era feliz por isso! Lembre-se o quanto é importante a memória afetiva de cada comida que você comeu desde as primeiras vezes com sua mãe ou seu pai e quando o alimento não era apenas alimento, mas também era nutrição para alma, era carinho, era agrado para alma, era a presença do Eterno, HaKadosh Baruch Hu,  em forma de comida, de refeição, de festa na sua Vida… é Lereach Nichoach (Cheiro Agradável)… é Esh Tamid (Fogo Contínuo)…


“Peço desculpas a todos vocês de antemão por quaisquer erros que eu tenha cometido. Fiquem a vontade para fazerem recomendações e correções ao texto”



Ken Yehi Ratzon! Amen!


Referências:

Chumash Torá - Rabbi Meir Matzliah Melamed ZT”L (Editora Sefer)

Chumash Torá - Rabbi Aryeh Kaplan (Editora Maayanot)

Comentários do Rabbi Jonathan Sacks ZT”L em português(Site da Sinagoga Edmond Safra)

Or HaChayim - Comentários da Torá - Vayikrá - Tzav(Editora Sefer)

Torá Comentada - Rabino Samson Raphael Hirsch Z”TL - Tzav

Veshinantam Ano 8, N 391 Parashat Tzav

Rabino Nilton Bonder - Chatzot HaShavua - Tzav: https://youtu.be/j8WVPuebo0U?si=eDQiCOewivxx37J4

 

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