Parashat Vayicrá
- Marcos Wanderley

- há 2 horas
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( Levítico 1:1-5:26 e Haftará: Isaías 43:21 – 44:23)
"Vayicrá": vem da raiz hebraica קרא (kara), que significa “chamar”, “convocar” ou “dirigir-se a alguém”. O início da parashá traz a imagem de D’s chamando Moisés de forma íntima e pessoal, diferente de outras revelações mais grandiosas e públicas.
O livro de Vayicrá abre com o tema dos Korbanot (sacrifícios), mas o detalhe mais intrigante está na forma como D’s “chama” Moisés. O Talmude (Berachot 6b) ensina que quando alguém chama o outro com carinho e respeito, isso fortalece a presença da Shechiná. Assim, o chamado divino não é apenas uma ordem, mas um convite para proximidade.
O Rashi, ao notar a letra Alef pequena em “וַיִּקְרָא” (Vayicrá), explica que Moisés, em sua humildade, não queria parecer que D’s o chamava de forma grandiosa. Já o Ramban observa que o chamado é necessário antes da instrução, pois sem vínculo e atenção, a palavra não penetra. Aqui vemos uma tensão criativa: Rashi destaca a humildade de Moisés, enquanto Ramban enfatiza a pedagogia divina.
O Talmude em Menachot 110a afirma que quem estuda as leis dos sacrifícios é como se tivesse oferecido o próprio Korban. Isso sugere que o chamado de D’s não se limita ao ritual físico, mas se estende ao estudo e à intenção. Assim, Vayicrá inaugura uma espiritualidade em que o chamado divino exige resposta humana — seja por meio da prática, seja pela reflexão.
O início de Vayicrá nos ensina que a relação com o divino começa com um chamado íntimo. Rashi nos lembra da humildade necessária para ouvir, Ramban da preparação para receber, e o Talmude da equivalência entre ação e estudo. O “Vayicrá” é, portanto, um convite eterno: D’s chama cada pessoa não apenas para cumprir rituais, mas para transformar sua vida em um espaço de encontro e proximidade.
Que o Eterno possa abrandar os corações inflamados da guerra e voltemos à paz para preservar vidas…
Darkey Shalom (caminhos de paz)
Shabat Shalom Umevorach

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