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Parashá Shemot 

(Shemot - Êxodo - 1:1 - 6:1)

(O que significa nomear?)

(O que significa ter identidade?)

(O que significa ter essência?)

(O Nome releva o nosso passado, nosso presente e nosso futuro?)

(Qual é o Nome Sagrado?)


Estamos esta semana lendo a décima terceira porção anual do ciclo de Leitura/ Recitação/ Cantilação/ Estudo da Torá, primeira porção do segundo livro da Torá, de mesmo nome, chamada Shemot. O nome da porção atual é Shemot que é o significado literal da palavra Nomes em português. Em hebraico, o nome releva a identidade e a essência de alguém ou de algo. O uso dessa palavra é intencional para que os leitores da Torá possam observar e constatar nesse livro da Torá, a importância que o Nome possui na Vida de todas as pessoas, principalmente para o povo de Israel.


A tradição judaica-grega da septuaginta traduziu o nome do livro para Êxodo ressaltando a importância da saída do povo de Israel do Egito em direção a Terra Prometida. É um bom título que descreve um dos principais eventos do livro, porém ele não demonstra a profundidade do Título do livro na sua versão original em hebraico. Nomes ou Shemot contém a palavra chave que justifica, que vai além, que dá a razão, o motivo principal da Saída do Povo de Israel para o Egito: a Identidade/Essência.

A Torá começa a parashá e o Livro de Shemot assim:


Shemot(Êxodo)1:1

“Estes são os Nomes dos filhos de Israel que vieram ao Egito com Yaakov, cada um com sua família: Reuben, Shimon, Levi, Yehudá, Yissachar, Zevulun e Benyamin, Dan, Naftali, Gad e Asher…”


Por que o texto da Torá elenca os nomes dos filhos de Israel no Egito? Para demonstrar que apesar dos filhos de Israel estarem no Egito, conviverem no Egito e de toda a assimilação que houve dentro da cultura egípcia, os filhos de Israel mantiveram uma parte de sua Identidade, de sua essência, dos seus Nomes.


O texto demonstra desde os tempos antigos ao povo de Israel que toda assimilação cultural e esquecimento da tradição de Israel e da Torá podem ser contidas e combatidas valorizando e ressaltando a importância dos nomes judaicos dos indivíduos e de suas respectivas famílias, clãs e tribos. Os nomes resgatam a história do passado de Am Israel, mostram qual é a nossa identidade como “Israel” no presente e nos direcionam para o futuro como descendentes dos filhos de Israel.


Hoje, todo o povo de Israel na diáspora deve manter bastante viva a importante tradição de lembrar a memória dos Nomes judaicos dos antepassados e dar Nomes judaicos aos filhos, netos e descendentes, como parte de uma corrente da Vida Eterna que continua e se mantém viva ao longo do tempo, preservando nossa Identidade Judaica seja qual for o lugar ou cultura em que estejamos inseridos. Os judeus da Bahia tem como importante Mitzvá sempre se lembrar dos nomes judaicos dos antepassados e dar nomes judaicos aos filhos e descendentes através dos ritos e rituais judaicos, pois nós precisamos nos lembrar sempre que somos judeus baianos/ baianos judeus e não apenas baianos. Com os nossos Nomes judaicos, nós fizemos uma Mitzvá, criamos uma cultura nova e uma identidade nova no mundo: a Cultura/Identidade Judaico-baiana.


Os Nomes também nos salvam e nos libertam de nossas prisões e da nossa escravidão seja física, mental ou espiritual. Na Torá, o Nome de HaShem foi a chave para que Am Israel fosse liberto do Egito(Mitzrayim - dos Apertos).


O texto da Torá mostra o diálogo entre HaShem e Moshe e desse diálogo vemos a importância do reconhecimento do Nome Sagrado:


Shemot(Êxodo) 3:13-16

“Moisés perguntou: “Quando eu chegar diante dos israelitas e lhes disser: O D-us dos seus antepassados me enviou a vocês, e eles me perguntarem: ‘Qual é o Nome dele?’ Que lhes direi?”

Disse o Eterno a Moisés: “Eu Serei o que Serei. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês”.


Disse também o Eterno a Moisés: “Diga aos israelitas: O Eterno, o D-us dos seus antepassados, o D-us de Abraão, o D-us de Isaque, o Deus de Jacó, enviou-me a vocês. Esse é o meu Nome para sempre, Nome pelo qual serei lembrado de geração em geração.


Assim o povo de Israel reconheceu a sua redenção, através do Nome Sagrado. Os mais antigos do povo como a matriarca Serach Bat Asher reconheceram o Nome do Eterno e essa foi a chave para a Salvação do povo de Israel do Egito. Da Mesma forma, um Nome, o Nome Sagrado será a Chave para a redenção do Mundo como está dito e escrito no livro do profeta Zechariah:


Zechariah (Zacarias) 14:9

“E o Eterno será reconhecido Supremo e Rei em toda a Terra. Naquele dia, O Eterno será reconhecido como Um e o Seu Nome será Um.”


“Peço desculpas a todos vocês de antemão por quaisquer erros que tenham cometido. Fiquem a vontade para fazerem recomendações e correções ao texto.”


Saulo Brandão de Aguiar(Beniamim Ben Avraham)


Ken Yehi Ratzon! Amen!


Referências:

Chumash Torá - Rabbi Meir Matzliah Melamed ZT”L (Editora Sefer)

Chumash Torá - Rabbi Aryeh Kaplan (Editora Maayanot)

Comentários do Rabbi Jonathan Sacks ZT”L em português(Site da Sinagoga Edmond Safra)

Or HaChayim - Comentários da Torá - Bereshit - Shemot(Editora Sefer)

Torá Comentada - Rabino Samson Raphael Hirsch Z”TL - Shemot

Veshinantam Ano 8, N 380 Parashat Shemot

Tanach - Editora Sefer

Rabino Nilton Bonder - Chatzot HaShavua - Shemot: https://youtu.be/iMP8PgdEiM0?si=sFrgGPRhtUihizp4

 

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