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Parashá Yitrô

Na Parashá Yitrô encontramos três temas principais:


a) a visita de Yitrô, sogro de Moshê, ao acampamento dos hebreus;


b) o anúncio, aos pés do Monte Sinai, dos Dez Mandamentos;


c) o pedido do povo para que Moshê voltasse a intermediar as comunicações com D’us. Eles ficaram apavorados. Moshê aceita.


Aqui vamos comentar o item “a”, abrindo com quatro palavras em hebraico: Yitrô / Yotêr / Liftôach / Lehitpatêach.


No hebraico, Yitrô (nome do sogro de Moshê) e Yotêr (mais) têm a mesma raiz: yud, tav, rêsh (somente as consoantes são levadas em conta). Mesma raiz indica relação entre as palavras.


No segundo par de palavras, Liftôach (abrir) e Lehitpatêach (desenvolver-se) também têm a mesma raiz: pê, tav, rêsh, pois a letra “pê” pode ter som de “p” ou de “f”.

Yitrô era um sacerdote do povo de Midián, para onde Moshê fugiu depois de ter matado um capataz egípcio que chicoteava um escravo hebreu. Lá cuidou das ovelhas de Yitrô e casou-se com uma de suas filhas, Tsipora. Tiveram dois filhos. Foi nessa época que Moshê teve a revelação da sarça ardente.


O midianita trazia a filha e os netos. Seu genro lhe conta tudo o que ocorreu desde que saiu de Midián para o Egito. Yitrô fica admirado com as maravilhas que o Eterno operou. Depois da conversa, ele faz uma refeição com Aharôn (irmão de Moshê) e todos os anciãos de Israel.


No dia seguinte, Yitrô observa que Moshê julga sozinho todos os conflitos do povo e aconselha que ele escolha homens honrados, tementes a D’us e que desprezam o ganho indevido: juízes de mil, de cem, de cinquenta e de dez. Para Moshê ficariam apenas os casos mais complicados.


Moshê segue o conselho e assim se cria um proto sistema jurídico, base para a organização que encontramos hoje em dia. Yitrô se despede e volta para Midián.

Agora voltemos ao primeiro par de palavras: Yitrô / Yotêr. Precisaríamos ser muito criativos para dizer que a visita de Yitrô não trouxe acréscimos. Ele trouxe o núcleo familiar de volta a Moshê e um conselho valiosíssimo para todo o povo hebreu e para a história.


Liftôach / Lehitpatêach. Abrir e desenvolver têm a mesma raiz. Claro! Se nosso povo não se abrisse a “esse cara que veio de fora”, não teria a chance de receber de Yitrô o que ele ofereceu. Se Yitrô tivesse se fechado apenas para sua família, as trocas não seriam tão intensas.


A xenofobia e outros preconceitos limitam nosso desenvolvimento. A mensagem que cada um transmite é mais importante do que quem a transmite.


E agora? Você entende por que “esse cara que veio de fora” virou nome de parashá?

 
 
 

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