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Rosh Chodesh Kislev – A luz que nasce da renovação

há 17 horas
3 min de leitura

O início de um novo mês no calendário judaico representa uma oportunidade de renovação espiritual. Nos dias 10 e 11 de novembro de 2026, correspondentes a 30 de Cheshvan e 1º de Kislev de 5787, celebraremos Rosh Chodesh Kislev. Com a chegada desse novo mês, somos convidados a refletir sobre a capacidade de preservar a esperança, mesmo quando as circunstâncias parecem desfavoráveis.


Kislev é o terceiro mês do ano, quando contamos a partir de Tishrei, e o nono, quando seguimos a contagem bíblica iniciada em Nissan. É durante esse mês que celebramos Chanucá, a festa que recorda a rededicação do Beit Hamikdash, o Templo de Jerusalém, após a vitória dos macabeus sobre o domínio selêucida.


Na tradição judaica, a chegada de Rosh Chodesh é anunciada na sinagoga durante o Shabat que antecede o novo mês, numa cerimônia conhecida como Bircat Hachodesh, a bênção do mês. Após a leitura da Torá, a congregação é informada sobre os dias em que ocorrerá Rosh Chodesh e o horário do molad, o momento calculado da conjunção lunar que serve de referência ao calendário judaico. São recitadas preces pedindo ao Eterno um mês de vida, saúde, paz e bênçãos.


Esse anúncio possui um significado comunitário. Nos tempos em que o início dos meses dependia do testemunho da observação da lua nova, a proclamação de Rosh Chodesh pelo tribunal competente tinha consequências diretas para a determinação das festas e das demais datas religiosas. Atualmente, com o calendário judaico calculado, o anúncio realizado no Shabat não estabelece juridicamente o início do mês. Sua finalidade é recordar à congregação a proximidade de Rosh Chodesh, preparar a comunidade para sua observância e renovar coletivamente os votos de um bom mês.


O fato de esse anúncio ocorrer no Shabat também é significativo. Reunida para a oração e a leitura da Torá, a comunidade toma conhecimento da chegada do novo mês e compartilha a expectativa de um novo período. A passagem do tempo deixa, assim, de ser percebida apenas como uma sucessão de dias e passa a ser acompanhada por uma reflexão sobre nossas responsabilidades e escolhas.


Entretanto, antes de chegarmos às luzes de Chanucá, Rosh Chodesh Kislev nos oferece uma reflexão sobre o próprio processo de renovação.


O calendário judaico acompanha os ciclos da lua. Ao longo do mês, observamos seu crescimento, sua plenitude e seu desaparecimento aparente, até que um novo ciclo se inicia. Essa alternância tornou-se um símbolo da experiência humana. Há períodos de realizações e alegria, mas também momentos de incerteza, dificuldades e recolhimento. A lua nos recorda que nenhuma dessas condições precisa definir permanentemente nossa existência.


No Tratado de Sanhedrin (42a), o Talmud apresenta a bênção recitada sobre a renovação da lua, conhecida como Bircat Halevaná. Nela, a renovação lunar é associada à esperança de renovação do povo de Israel. Essa relação oferece uma lição: a possibilidade de recomeçar não depende de esquecermos o passado, mas de aprendermos com ele e seguirmos adiante.


A proximidade de Chanucá acrescenta outro significado ao mês. A luz das velas, que em breve acenderemos, representa a continuidade da identidade judaica diante das adversidades.


No Talmud, Tratado de Shabat (21b), encontramos a discussão sobre a maneira de acender as luzes de Chanucá. Segundo a orientação da escola de Hilel, acrescentamos uma vela a cada noite, aumentando progressivamente a iluminação. Embora essa prática pertença especificamente à celebração de Chanucá, podemos extrair dela um ensinamento aplicável desde Rosh Chodesh: o crescimento espiritual pode acontecer por meio de pequenas ações constantes.


Uma palavra de reconciliação, um gesto de generosidade, o compromisso com o estudo da Torá ou a atenção às necessidades de alguém são maneiras concretas de acrescentar luz à vida cotidiana.


Rosh Chodesh não elimina as dificuldades nem garante que nossos desejos se realizarão. Seu significado está na oportunidade de examinar nossas atitudes e renovar nossos compromissos.


Ao iniciarmos Kislev, podemos perguntar a nós mesmos quais hábitos merecem ser fortalecidos, quais comportamentos precisam ser modificados e de que maneira podemos contribuir para o bem-estar daqueles que nos cercam.


Que este novo mês nos encontre dispostos a transformar boas intenções em atitudes, fortalecendo nossos vínculos familiares, nossa comunidade e nossa relação com o Eterno.


Que D’s nos conceda um mês de Kislev repleto de saúde, paz, sabedoria e boas realizações. Que a luz da Torá ilumine nossos caminhos e que possamos compartilhar suas bênçãos com todos ao nosso redor.


Chodesh Tov!


Referências: Peninei Halachá, Zmanim 1:8; Shulchan Aruch, Orach Chaim 417; Talmud Bavli, Sanhedrin 42a e Shabat 21b; Bamidbar 28:11–15; Rambam, Mishnê Torá, Hilchot Kidush Hachodesh 1:1.


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