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Shivá Assar BeTamuz (17 de Tamuz) – 2 de julho de 2026

O jejum de Shivá Assar BeTamuz, que neste ano ocorrerá em 2 de julho de 2026 (começa das 04h49 e se estender até às 17h42), marca o início das Três Semanas que conduzem até Tishá BeAv. Trata-se de um dia de reflexão profunda sobre as rupturas espirituais e históricas do povo judeu. A data recorda, entre outros acontecimentos, a abertura de uma brecha nas muralhas de Jerusalém antes da destruição do Segundo Templo, além da tradição segundo a qual Moshê quebrou as Tábuas da Lei ao encontrar o povo diante do Bezerro de Ouro.


Entretanto, a mensagem mais profunda do jejum não está apenas na memória das tragédias. O Maharal de Praga ensina que uma muralha não serve apenas para proteger uma cidade; ela simboliza os limites que preservam a identidade. Quando a muralha de Jerusalém foi rompida, o problema não começou do lado de fora, mas dentro da própria cidade. Da mesma forma, a vida espiritual de uma pessoa raramente é destruída por um único erro. A queda começa quando pequenas brechas são ignoradas.


A Mishná (Ta'anit 4:6) relaciona cinco calamidades ocorridas neste dia. Os sábios perceberam que todas elas possuem um elemento comum: a quebra de algo que deveria permanecer íntegro. As Tábuas foram quebradas, a muralha foi rompida, a continuidade do serviço sagrado foi interrompida. O ensinamento é claro: antes da destruição física existe uma ruptura moral e espiritual.


Sob uma perspectiva cabalística, o mês de Tamuz está associado ao desafio da visão. Não é por acaso que o pecado do Bezerro de Ouro ocorreu quando o povo olhou para a ausência de Moshê e perdeu a confiança. A Cabalá ensina que os olhos podem enxergar apenas o momento presente ou podem perceber a presença de D's mesmo quando ela não é evidente. O jejum nos convida a corrigir o olhar, transformando uma visão superficial em uma visão de fé e responsabilidade.


O Rabino Jonathan Sacks observava que as maiores crises da história judaica não foram provocadas apenas por inimigos externos, mas por momentos em que o povo perdeu a consciência de sua missão comum. As muralhas de Jerusalém foram reconstruídas ao longo da história, mas a verdadeira reconstrução sempre começou quando os judeus restauraram a unidade, a confiança e o compromisso com a Torá.


Assim, Shivá Assar BeTamuz não é um dia voltado para o passado. É um chamado para examinarmos quais muralhas interiores precisam ser fortalecidas: o respeito ao próximo, a santidade da palavra, a dedicação ao estudo e o vínculo comunitário. Quando reparamos as pequenas brechas do presente, contribuímos para a reconstrução espiritual que nossos sábios associam à futura redenção.


Que este jejum seja uma oportunidade de introspecção, crescimento e fortalecimento da unidade de Israel.


Shabat Shalom UMevorach.


Referências:

• Torá

• Mishná Ta'anit

• Talmud Bavli

• Maharal de Praga

• Zôhar

• Rabino Jonathan Sacks

 
 
 

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