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O Show de Gabriel Meyer em Salvador


(Reprodução YouTube)


Há cerca de duas semanas atrás, eu recebi uma ligação do querido Yuri Zalcbergas para me convidar a ajudar na produção de um evento maravilhoso que ocorrerá na SIB dia 21/01/2023, sábado. Quando me contou que estava trazendo Daniel Meyer para realizar um show na sede da nossa amada comunidade, eu fiquei extremamente surpreso de uma forma muito positiva. Como também fiquei extremamente animado, pois acho de grande importância quando ocorrem eventos, principalmente culturais, na SIB. Eventos assim sempre trazem, além de conhecimento e alegria, um sentimento de vida, principalmente de vida comunitária. Enriquece e agrega na nossa comunidade e propicia um momento de lazer que geralmente temos em outros espaços.


Além de Gabriel Meyer, quem eu particularmente acho que casa muito bem com a SIB, o show contará com nomes de peso compondo a banda como Ivan Sacramento, Wilton Batata e Felipe Guedes, notórios na música baiana. Inclusive, confesso que fiquei preocupado em conseguir dar o suporte necessário para que tudo ocorra bem e essa noite seja inesquecível marcando para sempre a história da SIB. Trata-se de um show interativo com uma relação dinâmica entre a música e o público que faz parte fundamental para o espetáculo. Se você está lendo isso e vai no show, já fique logo sabendo que vai participar do show também.

Gabriel Meyer Halevy – Halelu Hu


Gabriel Meyer nasceu em um acampamento educacional de verão criado por seus pais em Córdoba, Argentina (imaginei logo uma grande Machané do Dror). Seu pai era nada menos que o grande Rabino Marshall T. Meyer, “responsável pela consolidação do Movimento Conservador/Masorti na Argentina e consequentemente na América do Sul. O Seminário Rabínico Latinoamericano leva seu nome, tendo sido fundado pelo mesmo em 1962 e formou nossos queridos R. Ary Glikin, R. Ari Oliszewski e R. Mariano del Prado os três tendo posteriormente ampliado seus estudos em Israel”. Ele cresceu na época da ditadura e aos 16 anos era um ativista espiritual e de direitos humanos comprometido, seguindo o exemplo de seu falecido pai. Trabalhou no teatro, cinema e televisão como ator, escreveu em uma revista underground e, após uma breve passagem pelo departamento de teatro da Europa e UCLA, deixou a Argentina aos 22 anos. Estudou, viajou e praticou tradições sagradas, sabedoria de cura, música e dança através do Oriente Médio (Jordânia, Turquia, Egito) Europa, Brasil, Irlanda, África (África Oriental, Zimbábue, Marrocos, Gana) Índia e América Nativa (norte, centro e sul). Ele viveu nas ilhas gregas, Paris, Nova York e no deserto do Sinai. Em 1993 desembarcou em Yaffo, Israel, e depois de passar pela antiga cidade de Acco, estabeleceu-se na cidade de Amirim por 9 anos. Depois de cinco anos no litoral de Beyt Yanai, em 2010 construiu sua base na aldeia montanhosa da Galiléia, Hararit.


Gabriel Meyer é um artista completo, diverso e dinâmico, incorporando várias influências distintas em seu trabalho que atrela áreas diferentes de arte à sua arte que vai muito além da música. Suas influências artísticas e “extra-artística” conta com ensinamentos xamânicos nativos americanos, budismo (inclusive tem foto com Dalai-lama), sufismo (África, Turquia, Israel e Índia), música e dança africana (sobretudo de Gana), música clássica indiana, música do Oriente Médio e judaica em geral, dança e teatro. Mas continuou bebendo dos poços da sabedoria judaica, de seu pai, do Rabino Zalman Shachter Shalomi e seus discípulos. Cofundador do Metatron Ritual Theatre Collective (1994 - 2001) e executou trabalhos inovadores no festival Acco Alternative Theatre - Enoch - Prince of Presence (1994), Celestial Wedding (1995) e Who Guards the Trees (2001). Também se apresentou no Bat Yam International Street Theatre Festival. Criou "The Hebrew Holyday Gatherings" (1997-2001) para a renovação e “ressacralização” de Israel. Cerca de 1.000 participantes de todas as idades participaram desses retiros seminais, relacionando o calendário hebraico, o ritual judaico e a sabedoria com outros caminhos espirituais. Conduziu rituais interreligiosos para a paz na Europa (Bearing Witness - Auschwitz), EUA (Kabbalat Shabat & Sufi Zikr com Palestino Sufi Sheik em Lakota Sundance), Oriente Médio e Central (Cultura, Espiritualidade e Teologia da Conferência de Paz com Padre Chencho Alas na Guatemala) e América do Sul. Iniciou a "Vigília da Paz" (2001) em Jerusalém junto com Deborah Brous e Eliahu Maclean como resposta ao início da segunda intifada. Gabriel foi iniciado na "ordem da desordem" da Global Peacemaker Community (2001) em Tantur - Jerusalém - monastério pelo fundador do Zen Peacemakers, Zen Roshi Bernie Glassman. Cofundador do Sulha Peace Project (codiretor 2001-2009) para a Reconciliação e Cura dos Filhos de Abraão - Árabes e Judeus, Israelenses e Palestinos - Construindo um paradigma de paz integral através de programas juvenis, interreligiosos, educacionais e artísticos. A Sulha era um projeto baseado na paz, suas reuniões aconteciam na natureza e desde sua criação, realizou suas diversas programações para cerca de 10.000 participantes, desenvolvendo a cultura da escuta e da convivência. Cocriador com Amir Paiss o Amen Music Ensemble, que criou dois álbuns: "Merkavah" (2001) e "Hateva - Skin of God" (2008). Recebeu em 2003 o grau honorário de "visionário, pacificador e um verdadeiro representante do povo judeu perante outras religiões", pelo Rabino Zalman Schacter Shalomi. Participou de festivais nos EUA e no Marrocos em 2004. Gabriel iniciou o Peace in the Middle East Rainbow Gathering, onde iranianos, israelenses, turcos, orientais e internacionais se encontraram na natureza, de pessoa para pessoa sem qualquer apoio ou ONG de qualquer tipo (2007-2011). Ele é um pioneiro da música religiosa hebraica, do ritual judaico e interreligioso e da espiritualidade em Israel. Gabriel serve como um embaixador de um espírito renovado de Israel, oferecendo cultura da paz, música, educação e cura enraizada nos valores proféticos do povo judeu: justiça (Tzedek Tirdof, justiça que você deve buscar) e amor (Veahavta Lereacha Kamocha, ame o próximo como a si mesmo) incorporando um espírito de renovação sagrado, universal, lúdico e fundamentado, profundamente necessário em nossos tempos.

Gabriel Meyer Halevy – Liminal Grace


Gabriel conduziu rituais, concertos e workshops com grande sucesso para milhares de pessoas ao redor do mundo (Israel, Europa, América do Norte, Central e do Sul, Índia, Austrália e África do Sul) nos últimos 20 anos. Fez parte do "We Recuse to be Enemies Vision Camp" durante a última Guerra de Gaza (2014) em Gush Etzion, nas terras de Ali Abu Awwad, iniciado e apoiado pela The Tamera Peace Research Village, onde palestinos, israelenses e internacionais se reuniram na natureza para incorporar um novo paradigma para a paz. Suas músicas, pautadas numa espécie de Folk com elementos típicos judaicos, israelenses e do oriente médio em geral, mas com um “tempero” global bem diverso. Em algumas músicas podemos perceber essa natureza diversa que bebe em distintas culturas sem perder a sua essência judaica e dando a devida importância a diversidade como um todo. Acho não só maravilhosa, mas revolucionária essa forma de abordar culturas as colocando em pé de igualdade e respeito unidas pela paz.

Gabriel Meyer Halevy – Visa Song


Podemos perceber que esse cara tem um currículo enorme, digno de grandes festivais internacionais. Não só festivais musicais, mas artísticos em geral assim como de ativismo social e político. Uma verdadeira honra para SIB receber um cara desses.

Gabriel Meyer Halevy – Liminal Grace


Como disse antes, o show ainda vai contar com grandes músicos baianos e entre eles está Felipe Guedes. Nascido no Gantois (bairro da Federação aqui em Salvador) de uma família de grandes músicos que o apresentou ao mundo da música. Desde menino já mostrava seu talento aprendendo a tocar bateria e percussão aos quatro anos, depois violão, baixo, guitarra, cavaquinho, bandolim, viola caipira e até clarinete. É do tipo de pessoa que você joga uma pia de cozinha nele e ele consegue fazer música. Esse grande multi-instrumentista autodidata já trabalhou com grandes nomes como Cegueira de Nó, Vanessa Melo, Lazzo Matumbi, Ornella Ponnaz, Grupo Siri Catado, Yuri Popoff, Michaela Harisson, Claudia Cunha, Peu Meurray, Ivete Sangalo, Saulo Fernandes, Roberto Mendes, Grupo Garagem e Gabi Guedes. Já marcou presença em grandes festivais como o festival de Jazz do Capão e já se apresentou na Jam no MAM (abraço para Lula Kottler). Em 2014, sua música “Ilú Minado” foi finalista do Festival de Música da Educadora FM.

Felipe Guedes – Pra Ti Ravi


Ivan Sacerdote, que já trabalhou com Felipe Guedes inclusive no Festival de Jazz do Capão. Talentoso clarinetista nasceu no Rio de Janeiro, mas mora em Salvador e é mestre em música pela UFBA onde acabou fazendo seu nome. Certa vez, Caetano Veloso deu uma festa em sua casa aqui em Salvador e se encantou pela música de Ivan, que classificou como “pós-Jazz, pós-Bossa Novo, pós-Axé” e acabaram fazendo uma parceria musical que rendeu um álbum que orgulhosamente Caetano lança Ivan Sacerdote. No seu currículo também conta com grandes nomes da música nacional como Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola, Jorge Helder e Rosa Passos, além de muitos outros.

Caetano Veloso e Ivan Sacerdote – Trilhos Urbanos


Para mostrar um pouco mais do talento e da harmonia entre os músicos, aqui este uma apresentação de Felipe Guedes e Ivan Sacerdote.

Felipe Guedes e Ivan Sacerdote – Ciranda das Águas


Wilton Batata é outro grande músico de destaque na cena soteropolitana. Professor da UFBA na escola de dança atuando como percussionista e professor da graduação e coordenador do programa de mestrado Prodan da UFBA onde desenvolve pesquisa de música e movimento com o ritmo Ijexá. Batata também trabalhou com grandes nomes como Ramiro Musotto, orquestra Rumpilezz e, provavelmente o de maior destaque, Baiana System.

Baiana System – Jah Jah Revolta



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