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Parashat Devarim

(Devarim\Deuteronômio 1:1–3:22)


Imagem de Steve Buissinne por Pixabay



Primeira parashá do Livro Devarim ("palavras"), Moshé faz sua última prédica aos Israelitas é lida na Shabat Chazon ("visão", em referência a Profecia de Isaías), que antecede a Tishá B'Av. Nesta, Moshé relembra, na margem leste do rio Jordão, as instruções que recebeu do Eterno. Lembra que quando estavam no Monte Horeb – Monte Sinai – que era hora de seguirem para a Canaã e tomarem posse da terra Prometida aos Patriarcas.


Nesta parashá Moshé nomeou chefes do povo que ajudariam nas tarefas de julgar e resolver as contendas, reconta os episódios dos Doze Espias, os encontros com os edomitas e os Amonitas, a conquista de Seom e Og e a atribuição de terras para as tribos de Rubén, Gade e Manassés. Relembra também que os encontros com os edomitas devem ser feitos com cuidado, lembrando que são descendentes de Esaú.

Justiça- eis um princípio fundamental do judaísmo- aqui Moshé instrui que justiça se faz ouvindo as pessoas, tratando igualmente israelita e estrangeiro, o pobre e o rico, com a qualidade de discernimento intelectual .


Maimônides (1138–1204) a partir de Devarim, nos ensina que os magistrados devem estar no mais alto nível de retidão e o Beit Din deveria ter no conjunto sete atributos: sabedoria, humildade, temor de Deus, não buscar a acumulação de dinheiro, amor à verdade, ser amado por pessoas em geral, e uma boa reputação.


Vivemos numa época de julgamentos precipitados sobre as pessoas, de disseminação de notícias falsas e apedrejamento digital, com reputações sendo facilmente atacadas. Ao mesmo tempo, a natureza vem sendo vilipendiada, o preconceito e o extremismo têm ameaçado diversas sociedades ao redor do mundo e os conflitos proliferando.


A proximidade deste Parashá com o fatídico dia de Tishá B'Av, neste Shabat de admoestação, deve nos inspirar a abrir nossa visão quanto a convivência respeitosa e o respeito mútuo, pois segundo os nossos sábios o Templo foi destruído e Jerusalém conquistada, devido nossas próprias divisões conflituosas. É preciso haver diversidade e pluralismo, como podemos aprender no Talmud por onde todas as vozes podem ser ouvidas, registradas e respeitadas. Neste momento o valor da justiça, fundamental ao judaísmo deve nos ajudar a sermos uma 'Luz para as Nações" e ajudar a iluminar o mundo com a justiça cheia de retidão, piedade e amor à verdade.

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