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 Parashat Hashavua - Ki tissá

Shemot (Êxodo 30:11-34:35)   Haftará (1 Reis 18:1-39)

 

O episódio do bezerro de ouro é uma das passagens mais comentadas e lamentadas da Torá. Como foi possível que apenas 40 dias após a Revelação Divina no Sinai, o Povo Judeu escolhesse um bezerro de ouro – uma imagem inanimada – em substituição a  D-us?


Mas como “pano de fundo”, Rashi, um dos comentaristas clássicos da torá, relata que todo incidente foi instigado pelo erevrav, a mistura de gente que fazia parte da plebe egípcia, que só se juntou ao povo de Israel por presenciar grandes milagres e maravilhas por intermédio de Hashem na terra do Egito. Essa gente praticava avodázara: idolatria, ou seja, adorava animais e tinha costumes pagãos. Portanto, influenciaram os judeus a praticar um grave pecado ao produzir o bezerro de ouro.


Segundo o Talmud, o episódio do bezerro de ouro foi algo inexplicável na história, porém a interpretação é que foi um produto da Divina Providência. Esta narrativa aconteceu para nos ensinar que até mesmo a geração conduzida por Moshé, que recebeu a Torá e mereceu a Revelação Divina no Sinai, era falível. Eles erraram, ensina o Talmud, e a misericórdia se manifesta para que nenhum judeu se sinta abatido por seus pecados. Pois, se D’us perdoou o pecado do Bezerro de Ouro, Ele certamente concederá a expiação por qualquer pecado que qualquer um de nós venha a cometer contra Ele.


O Rabi Moshe ben Nachman, Nachmânides, explica que o bezerro de ouro não visava substituir o divino, mas a figura de Moshê. Está escrito “o homem que nos fez subir da terra do Egito – não sabemos o que lhe aconteceu” (Êxodo 32:23). O detalhe é que o povo se rebelou em equívoco da contagem dos dias do retorno de seu maior líder, que subiria ao Monte Sinai e passaria quarenta dias e quarenta noites por lá. A explicação de Nachmânides revela que o povo fez o bezerro porque sentia a necessidade de algo físico com que se relacionar com o sagrado. Nós seres humanos, vivemos em um mundo material. Até o mais espiritual dentre nós habita este mundo físico.


Funcionamos guiados por nossos sentidos físicos. Todos os seres humanos têm uma necessidade inata por algo tangível. Não podemos ver D’us. Isso está muito claro, e não apenas porque D’us é despido de tudo o que é físico, mas também porque, como o afirma a Torá, um ser humano não pode ver D’us e continuar vivo. É verdade que o Povo Judeu testemunhou a Revelação Divina no Sinai, mas a experiência foi tão devastadora que eles pediram a Moshê que, dali em diante, D’us Se revelasse a ele, e que ele transmitisse Suas mensagens aos judeus. 


Nos tempos atuais, o bezerro de ouro se manifesta de maneira mais sutil e destrutiva, sobretudo com a mesma servidão e opressão. Devemos ter em mente e estarmos atentos às influências ideológicas do erevrav, a mistura de gente, que pode ser potencializada pelas nossas escolhas, através das relações comerciais, políticas, de status, de poder, afetivas etc... Devemos lembrar a todo momento que somente Hashem pode preencher nosso vazio espiritual.  

 

Am Israel Chai!

 

 

Referências: 

 

Revista Morashá; Nos caminhos da eternidade; Chumash Torá.

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