Parashat Matot-Massei
- Brasilena G. P. Trindade
- 9 de jul.
- 2 min de leitura
(Bamidbar 30:2-36:13 e Haftará - Jeremias 2:4-3:4)
A Parashá Matot-Massei conclui o Livro de Bamidbar. É a parashá dupla que prepara o povo para a transição do deserto para a Terra de Israel. Dela extraímos três ensinamentos para a nossa vida.
I. MATOT (Santidade da Palavra) – A Torá inicia esta primeira parte com as leis de Nedarim (os votos). Está escrito: “Quando um homem fizer um voto ao Eterno… não profanará a sua palavra” . O voto cria uma obrigação espiritual imediata. A possibilidade de anulação pelo pai ou pelo marido existe apenas quando se toma conhecimento do intento, pois, após esse prazo, a palavra proferida se torna vinculante. O ensinamento é claro: a coesão de um povo depende da confiança mútua. Sem a solidez da palavra, a sociedade se fragiliza. Atualmente, somos desafiados a mitigar a leviandade em nossas promessas e a ampliar nossa responsabilidade no cumprimento daquilo que assumimos.
II. MASSEI (Consciência da Jornada) – A segunda parte registra as 42 estações do povo, desde o Egito (Ramsés) até as planícies de Moav. “E Moisés escreveu as suas saídas, segundo as suas jornadas, conforme a ordem do Eterno”. Ao não omitir nenhuma parada e realizar o registro meticuloso de cada estação — inclusive as de provação —, a Torá nos ensina que a história de Israel não possui etapas descartáveis. Desse relato depreende-se que não há etapa supérflua na formação de um povo, nem na vida de um indivíduo. O deserto não foi um intervalo vazio, mas um período de lapidação e um espaço de amadurecimento do povo antes da chegada à sua Terra. Portanto, somos chamados a olhar para a nossa própria trajetória com consciência e perspectiva, conferindo sentido ao percurso. Ao reconhecer cada fase, compreendemos a condução Divina mesmo nos momentos de dificuldade, entendendo que até as provações integram o propósito maior. A memória fundamentada em sentido gera Emuná.
III. JUSTIÇA COM DISCERNIMENTO (Cidades Como Refúgio / As Filhas de Tzelófchad) – A parashá conclui com dois temas complementares. Primeiro, as Cidades de Refúgio, que acolhem até o julgamento, aquele que matou sem intenção, estabelecendo que a lei deve aferir a intencionalidade do ato. E segundo, o caso das Filhas de Tzelófchad, que reivindicaram e obtiveram o direito à herança paterna, com o posterior ajuste para salvaguardar a integridade tribal. Neste sentido, evidencia-se o diálogo equilibrado entre a equidade e a preservação da tradição.
Esta Parashá Mechubarot nos fornece a bagagem necessária para atravessar o Jordão, compreendendo três legados: 1. Emuná – a fidelidade à palavra empenhada; 2. Daat – a consciência do valor de cada etapa da jornada; e 3. Mishpat – a prática de uma justiça equilibrada entre o rigor e a compaixão. Que possamos, neste mês de Av, internalizar esses princípios e aplicá-los em nossos lares, e em nossos espaços profissional e comunitário.
Shabat Shalom U’Mevorach.

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