Parashat Nitzavim/Vayelech
Nesta semana temos a oportunidade de ler duas parashiot. Mechubarot (conectadas, Unidas). Próximo de passar para o outro plano, Moshê declara que o mandamento que hoje te ordeno não é oculto para ti, nem está longe de ti. Não está nos céus, para dizeres: 'Quem subirá por nós aos céus, nem está além do mar, 'Pois esta palavra está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a cumprires. Vê que hoje pus diante de ti a vida e o bem, a morte e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência. Esse ensinamento nos mostra que a sabedoria espiritual e a centelha divina não estão ocultas e inacessíveis no interior do próprio ser humano. A Cabalá ensina que o texto físico da Torá é um espelho da estrutura da alma humana e do próprio Universo. Devemos entender que as narrativas e mandamentos não são eventos puramente históricos, mas processos psicológicos e espirituais que ocorrem dentro de nós.
Quando a Torá “traz na tua boca e no seu coração”, é para que isso seja praticado desenvolvendo o poder da transformação e a retificação do mundo (Tikkun Olam). A conexão espiritual depende apenas das nossas escolhas diárias, pensamentos e ações no mundo material, o céu e o mar operam aqui como metáforas para distâncias criada pelo ego, que fortalece a ilusão de separação de D’us e resulta em “morte espiritual”, ocultando a verdade que já reside em nossa própria consciência.
Sob a ótica da Cabalá o bem e o mal não são forças opostas independentes, mas aspectos intrínsecos da criação, originados de uma única fonte (Mekor Chaim). O mal não possui existência própria; ele é a ausência ou a ocultação da luz divina, servindo como um instrumento necessário para o livre-arbítrio e o aperfeiçoamento humano.
como explica o Arizal que o pecado de Adão não foi o ato físico de comer um fruto, mas sim a antecipação prematura de uma união espiritual, ao comer da Árvore do Conhecimento. O resultado foi a mistura indissociável entre o Bem e o Mal produzindo Faíscas de Luz Divina (Kedushá) que caíram e ficaram aprisionadas dentro das cascas da impureza (Klipot). A partir desse momento, a "Morte" e a "Maldição" entraram no mundo e consequentemente o mal passou a se alimentar da própria energia da vida. Segundo o Arizal, nosso campo de batalha diário após a queda é a própria Árvore do Conhecimento: um mundo onde o bem e o mal se entrelaçam em cada pensamento, objeto e ação.
E por essa razão que o Zohar afirma que nessa ocasião Yamin Noraim e Rosh Hashaná aniversário do nascimento de Adan e Hava (humanidade), a luz divina apresenta a oportunidade de retificar-nos nossas ações e conectar-se com a fonte da vida. Ao cumprir os mandamentos (Mitzvot), o ser humano realiza o processo de Birur (triagem ou refinamento): ele separa o bem do mal dentro da Árvore do Conhecimento. Cada vez que você escolhe o bem, você desfaz um pedaço do nó que Adão amarrou no Éden. Nas porções de Nitsavin e Vayelech, Moisés ratifica o pacto da Torá ao povo judeu afirmando que ela "não está nos céus, mas muito perto de ti, na tua boca e no teu coração" O Arizal afirma que a Torá é a própria arvore da vida disfarçada em palavras humanas.
Referências: A Torá melamed, (Etz haDa'at Tov vaRa) encontra sua explicação mais profunda nas obras do Arizal (Rabino Isaac Luria), o pai da Cabalá Luriânica.

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