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Parashat Metsorá (Leproso)


Imagem de Foto-Rabe por Pixabay



Praticamente uma continuação da Parashá Tazria, lida na semana passada – em alguns anos são inclusive lidas juntas, a Parashá Metsorá trata da purificação e da reintegração na comunidade da pessoa que foi acometida pela doença da lepra.


Desde sempre estigmatizada, por impor ao enfermo uma aparência bastante desagradável de se ver, com graves feridas na pele, é considerada por nossos sábios a manifestação física de uma doença espiritual.


Justamente por esse motivo, após se isolar da comunidade e encontrar a cura, em seu devido tempo, o leproso era visitado pelo sacerdote – o médico da alma, que o examinava e, em se confirmando o restabelecimento, ordenava serem trazidos dois pássaros puros e perfeitos, sendo um deles degolado. O pássaro vivo era, então, molhado no sangue do pássaro degolado e, em seguida, solto.


Esse ritual simbolizava que a alma impura do enfermo lhe fora tirada e concedida uma nova alma, purificada.


Essa doença espiritual, de consequências físicas, era atribuída ao pecado de Lashon HaRá (língua maledicente). Muito já se disse a esse respeito. E muito ainda se dirá. Pela palavra, Deus criou o mundo. Pela palavra, guerras são declaradas. A mesma palavra que traz a vida pode provocar a morte. Não à toa, falar mal de alguém é considerado uma forma de assassinato. Pela palavra se assassina reputação e honra. Pela palavra, o amor mais sublime é declamado.


Em tempos de ditadura das redes sociais, comentários maldosos podem ser tão traumáticos que, em casos extremos, induzem pessoas a até mesmo atentarem contra suas próprias vidas, por não suportarem o peso da vergonha de serem expostas, muitas vezes a partir de distorções ou mentiras. Já se criou um nome para isso: bullying. E outro, para definir pessoas que disseminam na internet ódio gratuito a alguém a quem perseguem: haters.


Não podemos falar mal de quem quer que seja – ainda que seja verdade. Mas, oh, Deus, como cometemos esse erro... Temos o dever de buscar todos os dias o Tikum Olam – o melhoramento do mundo. Que, é sempre bom lembrar, começa com o nosso próprio melhoramento. Se almejamos um mundo de bondade, precisamos nos manter atentos para que, de nossas bocas, de hoje em diante, somente palavras gentis sejam ditas. Assim, Baruch Hashem, seremos abençoados!


Shabat Shalom!


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