Notícias de Israel
- David S. Moran
- há 1 dia
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APÓS 843 DIAS O REFÉM RAN GVILI EM ISRAEL - Segunda feira (26) foi de alegria mesclada com tristeza. Depois de exaustivos 843 dias, finalmente foi encontrado o corpo do último sequestrado israelense, o policial Primeiro Sargento Ran Gvili. Para os israelenses nada é mais valioso do que o ser humano. As Forças de Defesa de Israel (Tsahal) faz todos os esforços para encontrar cada soldado que entra em combate e, se tombou em batalha, trazê-lo para enterro militar.
Em 7/10/23, na invasão surpresa da organização terrorista Hamas em Israel, os terroristas recuaram levando com eles 251 sequestrados, vivos e mortos. Com enormes esforços, 168 voltaram vivos, 87 foram assassinados no cativeiro, ou levados mortos, e 8 foram salvos em operações militares das FDI.
No dia 7/10, Ran estava de férias da polícia, devido ao deslocamento do ombro e ia ser operado no dia seguinte. Quando soube da invasão do Hamas ao Estado de Israel, não hesitou nenhum momento. Imediatamente vestiu seu uniforme, pegou seu revólver e foi lutar com seus colegas. Combateu na área do Kibutz Alumim, salvando mais de 100 jovens que fugiram da Festa da Nova, enfrentando dezenas de terroristas, conseguiu matar 14 deles e, mesmo ferido por balas, só parou quando não teve mais munição para recarregar sua arma.
Durante esses 2 anos e 4 meses, Israel negociou indiretamente com o Hamas para a devolução dos sequestrados. Graças aos esforços do presidente Biden e depois Trump, a grande maioria dos reféns, vivos e mortos, voltou a Israel. Faltou apenas o corpo do policial Ran Gvili. Só se sabia que ele tinha sido sequestrado por terroristas da Jihad Islâmica.
Os esforços dos serviços de Inteligência não conseguiram apurar nada. Até que, há um mês, agentes do Shabak (ex Shin Bet) obtiveram informação que uma alta patente da Jihad Islâmica poderia desvendar o mistério. Eles se infiltraram em Rafah e o pegaram, levaram-no para Israel e o interrogaram durante um mês. Só se sabia que menos de 5 pessoas tinham conhecimento do paradeiro de Ran.
Após exaustivos interrogatórios, ele deu informações de onde Ran foi enterrado para talvez encontrá-lo. Forças militares foram ao cemitério de Al Sajaía, ao norte de Gaza. Lá, um batalhão inteiro do Tsahal, com a ajuda de médicos, dentistas, psicólogos e até antropólogos, iniciou árduos trabalhos de escavar túmulos e tentar encontrar o israelense.
A médica Ilana A., vice comandante da Unidade de dentistas forenses da Polícia, é voluntária desde 7/10, identificando mortos no massacre e em combates. Ela diz: "há um mês minha comandante me ligou para dizer que entrará em Gaza para procurar o último refém. Imediatamente eu lhe disse que iria também. No último sábado (24), a unidade dela e dentistas das FDI levaram aparelhos móveis de raios X, sensores e computadores e iniciaram os trabalhos. Até domingo, já tinham desenterrado 200 corpos e analisaram suas arcadas dentárias.
Vale a pena salientar que no alistamento militar cada soldado tem sua arcada dentária fotografada. Depois que já tinham analisado 250 corpos, encontraram um corpo com calças de uniforme policial. Analisando sua arcada dentária, identificaram que era de Ran Gvili. Duas dentistas, separadamente, com análise biométrica avisaram que o corpo era de Ran. A confirmação foi comunicada ao Comandante do Estado Maior e depois às demais autoridades civis e militares e, evidentemente, a família Gvili.
Os soldados envolvidos nas buscas riam e choravam e entoaram cantos religiosos. A bandeira azul e branco de Israel cobriu o corpo e aí todos em uníssono gritaram "Am Israel Chai" (O povo de Israel vive) e depois cantaram o hino nacional Hatikva (A Esperança). Não houve uma pessoa no local que pudesse conter as lágrimas. Missão cumprida.
O mandamento que não se deixa soldado morto sem enterro decente chegou ao fim. O herói nacional, Ran Gvili foi levado ao Instituto Médico Legal e na quarta-feira (28) seguiu para o Cemitério de Meitar, no Neguev. Milhares de pessoas se postaram ao longo do trajeto fúnebre, com bandeiras nacionais. Por onde passavam, os carros paravam ás margens da estrada para as merecidas honrarias ao herói Ran. Toda a nação unida se identificou com Ran Gvili e sua família.
COMEÇA A 2ª FASE DO ACORDO ENTRE ISRAEL E HAMAS - Há quase 4 meses que, por intermédio dos EUA, foi assinado o acordo de cessar-fogo entre Israel e a organização terrorista Hamas. O presidente Trump aproveitou sua viagem à Conferência Econômica em Davos para realizar uma cerimônia especial e inaugurar o "Conselho da Paz", que governará a Faixa de Gaza, em substituição ao governo da Hamas.
Apesar da festividade do evento, o acordo está cheio de buracos como um queijo suíço. Os EUA negam que concordaram em deixar o Hamas continuar como "um grupo político" e que 10.000 dos seus "homens de segurança" incorporem o novo grupo palestino de segurança da Faixa de Gaza. Essa exigência da Hamas foi totalmente rejeitada por Israel e até mesmo pela Autoridade Palestina, que recebeu as rédeas para governar Gaza. Quem conhece bem a mentalidade árabe são os árabes. Um diplomata árabe que lida com o acordo diz que os americanos são ingênuos. Será difícil conseguir um acordo com o Hamas depondo as armas.
Quando vão avançando para implementar o acordo, o Hamas vem com novas exigências. O Conselho Tecnocrático, que deve governar Gaza, tem maioria de pessoas da Autoridade Palestina, inclusive o seu chefe, Ali Sha'at, que teve várias atuações de alto nível na Autoridade Palestina. Do ponto de vista israelense, um dos grandes problemas é a volta da Autoridade Palestina de Ramallah a Gaza, de onde foi expulsa pelo Hamas em 2006. O primeiro ministro Benjamin Netanyahu já falou reiteradamente, inclusive na noite de terça-feira (27) na volta de Ran Gvili a Israel, que é contrário a um governo do Hamas e/ou da Autoridade Palestina em Gaza e na Cisjordânia.
A passagem de Rafah foi aberta do Egito para Gaza e vice-versa por imposição americana, mesmo antes de saber que Ran Gvili tinha sido encontrado, como rege o acordo. Israel só aceita ter controle das pessoas que por lá vão transitar, através de um posto israelense a poucos metros do sto egípcio e através de câmeras e outros aparelhos, além de receber antecipadamente o nome de quem vai passar por lá.
Os egípcios tentaram impedir a vistoria israelense, até mesmo de longe pela câmeras, mas, no final aceitaram. O Egito também tenta impedir a livre passagem de Gaza para que os palestinos fiquem no país irmão, o Egito. Israel está disposto a permitir que pela passagem de Rafah só saiam pessoas (e não caminhões) e concorda que sejam pessoas com vistos para um terceiro país, ou por motivos de saúde. Israel também avisou que não permitirá a volta de terroristas do Hamas, que saírem de Gaza. No entanto, do lado egípcio passam caminhões ao lado da Faixa de Gaza, contrariando o acordo.
Os furos são muitos e os intermediários, Kushner e Witkoff, apresentaram em Davos o programa de recuperação de Gaza. Segundo eles, incluiria a construção de altas torres, agricultura, alta tecnologia e em 10 anos, a área produziria 10 bilhões de dólares anualmente. Parece um milagre.
Mas, nem tudo é tão simples. A realidade é que o Hamas coloca um empecilho atrás do outro. Primeiro diz que nunca se falou em seu desarmamento. Quer que seus militantes terroristas façam parte da nova policia que o Conselho Tecnocrático vai criar. O Hamas quer que seus militantes também façam parte do novo governo. Novamente, contrariando o acordo. Aliás, não só Israel se opõe a essas demandas. A Autoridade Palestina também é contrária à presença do Hamas, lembrando da matança que a organização terrorista realizou em 2006 contra os ativistas da Fatah e teme que o faça novamente, quando puderem. Mesmo Kushner diz que se o Hamas não entregar suas armas, atrasará todo o processo. Os americanos ignoram que apesar de todo o sofrimento, os habitantes de Gaza continuam apoiando as organizações terroristas Hamas, Jihad Islâmica e outras.
Outra exigência do Hamas, que Israel não pode aceitar, é dar imunidade total aos líderes do Hamas e seus terroristas, como condição para entregar as armas. Os ingênuos americanos, ou os interesseiros americanos acreditam que anistia é viável. Esquecem, ou não querem lembrar, que os palestinos sempre infringem acordos que assinam.
O impressionante é que os americanos sabem bem, assim como os israelenses, que o Hamas está se fortalecendo militarmente e no governo também. O Hamas está se armando, reconstrói túneis de ataque, cobra taxas dos comerciantes e rouba caminhões trazendo alimentos e bens necessários, para revender os produtos com preços bem mais elevados. O Hamas tem o apoio dos países que Israel considera inimigos: Qatar e a Turquia e parcialmente até do Egito.
Mesmo com a volta do último sequestrado e declarando que a guerra terminou, o governo de Israel até o momento não se reuniu para discutir como quer ver o futuro da Faixa de Gaza. Entre os militares israelenses há os que acreditam e advertem que Hamas vai adotar o modelo do Hezbollah. Isto é, não vai governar Gaza, mas vai manter sua força militar que será a principal em Gaza.
TRUMP E IRÃ SE AMEAÇAM MUTUAMENTE - O meu professor na Universidade Hebraica, Yehoshafat Harkavi, escreveu o livro Guerra nuclear e paz nuclear. Nele, traz a tese de que, se os dois lados estão bem armados, não entrarão em guerra por ter ‘equilíbrio do terror'. Não há dúvida de que os EUA é mais forte do que o Irã e suas ameaças. Trump já levou ao Golfo Pérsico o porta-aviões Abraham Lincoln acompanhado por sua esquadrilha de prontidão e engrossou as fileiras de seus caças e soldados nos países adjacentes onde tem bases.
A Inglaterra, sua aliada, também trouxe caças à sua base na ilha de Chipre e a troca de ameaças continua. Enquanto isso, os religiosos aiatolás enviam tropas para matar a esmo milhares de cidadãos que desejam um pouco de liberdade. Ninguém sabe o número de mortos, feridos e presos iranianos. O pouco que vaza do Irã dá conta de matança de pessoas nas ruas, ou da ida dos Guardas Revolucionários a hospitais, onde localizam feridos nas demonstrações de protesto e atiram nas suas cabeças. Milhares morreram desse e de outros jeitos e o mundo se cala. Não há manifestações em frente a embaixadas iranianas ou em apresentações de iranianos nos esportes, ou em eventos culturais. Por que será?
O Irã ameaça os EUA de não o atacar, pois a sua retaliação será contra os campos petrolíferos da Arábia Saudita e nas bases americanas próximas no Qatar, Arábia Saudita e Bahrein e que atacará Tel Aviv que está a milhares de quilômetros de distância.
Trump por sua vez diz que, se não se chegar a um acordo em breve, o "nosso ataque será bem mais intenso do que foi em junho último. Uma armada enorme está próxima do Irã, está entusiasmada e com determinação. Nossa frota é bem maior do que a que foi para a Venezuela". Trump conclui que ainda há tempo para um acordo "sem armas nucleares".
O Irã não se amedronta e responde que, quando os EUA entrou em guerra no Afeganistão e no Iraque, perdeu mais de 7.000 soldados e com custos de 7 trilhões de dólares. Irã se recusa a terminar com a opressão contra os manifestantes, dizendo "é assunto interno nosso" e não vai depor os mísseis que são contra a agressão de Israel.
27 DE JANEIRO-DIA INTERNACIONAL DE MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO. Foi em 27 de janeiro de 1945 que o famigerado campo de concentração de Auschwitz foi libertado. Por isso foi instituído que esse dia seria o da recordação dos 6 milhões de judeus assassinados durante o Holocausto. Um terço de todos os judeus do mundo foram exterminados entre 1939 e 1945. Além dos judeus, os nazistas mataram ciganos, inválidos e opositores. É verdade que naquela época as noticias não eram tão rápidas como atualmente, mas mesmo os que sabiam ficaram de braços cruzados. A Hungria foi ocupada pelos nazistas apenas em 19 de março de 1944. Quase no final da guerra, quando já a estavam perdendo. Mesmo assim, os nazistas ajudados pelos fascistas húngaros recolheram os judeus e em menos de um ano conseguiram exterminar centenas de milhares deles.
EXPOSIÇÃO DE MATERIAL DE DEFESA ISRAELENSE, EM TEL AVIV EM 17 e 18/2/2026. É a Expo Defense Tech, que exporá material bélico e de defesa das maiores companhias israelenses, bem como a Indústria Aeronáutica de Israel, a Indústria Militar e os Estaleiros de Israel, entre outras. É a primeira vez que uma exposição dessas é realizada em Israel.
PRESIDENTE HERZOG EM DAVOS NÃO REPRESENTOU ISRAEL NO FORUM DA PAZ. O presidente de Israel Itzhak Herzog foi participar da Conferencia Econômica em Davos. Ao mesmo tempo, o presidente Trump também esteve lá e depois representou os EUA na inauguração do Conselho de Paz. O primeiro ministro Netanyahu foi convidado, mas por receio de ser preso, por ordem do Tribunal Penal Internacional, não compareceu. Trump lhe pediu para que Herzog representasse Israel, mas Netanyahu se recusou e Israel esteve ausente desse evento.
HAREDIM FAZEM FALTA NAS FORÇAS DE DEFESA DE ISRAEL. Cada vez está mais difícil a situação nas FDI, porque há falta de soldados. O Chefe do Estado Maior, Tenente-General Eyal Zamir, escreveu uma carta ao Ministro da Defesa, Israel Katz, implorando para fazer tudo para preencher as fileiras e recrutar jovens ultra-ortodoxos (haredim). Na carta explica que faltam 7.000 combatentes e 4.000 auxiliares de combatentes. Os partidos dos ultra-ortodoxos conseguem livrar seus jovens através de chantagem de que não vão apoiar o governo se os obrigar a se alistar como os demais jovens israelenses. Até agosto de 2015, os rapazes serviam 36 meses, as garotas 24 meses. Em 2015, o então Ministro da Defesa pensou em fazer "um exército pequeno e inteligente" e reduziu o tempo do serviço militar obrigatório para 30 meses. Ante as necessidades atuais, há falta de soldados. Reservistas deixam suas famílias, negócios e trabalhos e servem 200, 300 e mais dias, por essa falta de soldados. Os líderes haredim usam todos os meios a seu favor e ao não alistamento de seus jovens, mesmo aqueles que não estudam.
COMANDANTE DO CENTCOM SE ENCONTRA COM O COMANDANTE DA TSAHAL (FDI). O almirante Brad Cooper chegou no sábado (24) em Israel e se encontrou com o chefe militar israelense, para coordenar suas ações no caso de ataque do Irã. O CENTCOM é o órgão encarregado da proteção americana no Oriente Médio e apesar de ter o quartel general na Flórida, tem um posto avançado na base de Al-Udeid, no Qatar. As relações atuais são mais próximas do que nunca nas áreas do Serviço de Inteligência, Logística e interligação dos sistemas antiaéreos contra mísseis e drones.
ELEIÇÕES PALESTINAS. As últimas eleições foram após a morte do Yasser Arafat, em novembro de .2004 e, em 2005, Mahmoud Abbas foi eleito para substituí-lo. Em 25 de janeiro de 2006 foram realizadas eleições para o Legislativo, com a participação, pela primeira vez, do Hamas, que recebeu 42.9% dos votos. Logo em seguida, o Hamas perseguiu e assassinou seus adversários da Fatah e assim se apoderou da Faixa de Gaza. Abbas, que tem sede em Ramallah, se fechou por lá e não mais realizou eleições temendo ser deposto pelo Hamas.
HOMENAGEM A RAN GVILI, ÚLTIMO REFÉM A VOLTAR. - A inscrição em cima é a reza Sheheheyanu vekimanu vehiguianu lazman hazé. (Que nos vivenciamos, existimos e chegamos a este momento). Dentro da moeda, está escrito Veshavu Banim Ligvulam (Que voltaram todos para suas fronteiras (para casa).



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