Purim
- Marcos Wanderley

- há 7 dias
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A tradição judaica situa a história da rainha Ester no século V a.e.c., durante o reinado de Assuero (identificado por muitos comentaristas como Xerxes I, rei da Pérsia).
O Tratado Meguilá da Mishná confirma que os acontecimentos de Purim ocorreram nesse período, descrevendo como os judeus das cidades muradas celebravam no dia 15 de Adar (Shushan Purim), enquanto os demais celebravam no dia 14. Essa distinção haláchica preserva a memória do milagre ocorrido na capital persa, Susa, onde Ester intercedeu junto ao rei para salvar seu povo.
O Talmude Babilônico (Meguilá 11a–12b) amplia esse contexto, explicando que o reinado de Assuero se estendia sobre 127 províncias, e que a ameaça de Hamã representava um risco existencial para toda a diáspora judaica. A coragem de Ester, segundo os sábios, não apenas salvou os judeus da Pérsia, mas também fortaleceu a identidade judaica em meio ao poder imperial.
Ester - Liderança Feminina no Século V a.e.c.
A história de Ester se passa no século V a.C., durante o reinado de Assuero (Xerxes I), no Império Persa. É nesse cenário que a jovem judia Hadassa, conhecida como Ester, é escolhida como rainha em Susa. Quando Hamã decreta a destruição dos judeus, Ester assume um papel decisivo: arrisca sua vida ao se apresentar diante do rei sem ser chamada, transformando o destino de seu povo.
Purim nasce da narrativa do Livro de Ester, ambientada na antiga Pérsia. O vilão Hamã planejou exterminar os judeus, escolhendo a data por meio de um sorteio (“pur”). O plano foi frustrado graças à coragem da rainha Ester e à sabedoria de Mordechai. O que seria um dia de destruição transformou-se em celebração da sobrevivência e da identidade judaica. A ironia central é que o acaso (o “pur”) se converteu em símbolo da providência divina.
Preceitos
Purim é marcado por quatro mitsvot principais:
- Leitura da Meguilat Ester – reviver a história e reforçar a memória coletiva.
- Mishloach Manot – envio de presentes de comida, fortalecendo laços comunitários.
- Matanot La’evyonim – doações aos necessitados, lembrando que a alegria só é completa quando compartilhada.
- Seudat Purim – refeição festiva, celebrando a vida e a vitória sobre a ameaça.
Costumes
- Fantasias e máscaras – simbolizam tanto a ocultação da identidade de Ester quanto a ideia de que a presença divina pode estar velada, mas nunca ausente.
- Ruído ao nome de Hamã – durante a leitura da Meguilá, o público apaga simbolicamente sua memória.
- Comida típica – como os “hamantashen”, doces triangulares que remetem ao chapéu, orelha ou bolso de Hamã, transformando o símbolo do opressor em motivo de sabor e alegria.
Curiosidades
- Purim é a única festa judaica em que a alegria é quase uma obrigação: há até a tradição de beber vinho “até não distinguir entre ‘bendito seja Mordechai’ e ‘maldito seja Hamã’”.
- É também uma das raras festas em que o milagre não aparece de forma explícita: o nome de Deus sequer é mencionado no Livro de Ester, reforçando a ideia de que a providência pode se manifestar de modo oculto.
- Em Jerusalém e cidades muradas desde os tempos de Josué, Purim é celebrado no dia seguinte, chamado Shushan Purim, lembrando a vitória tardia na capital persa.
Halachá e tradição
De acordo com a Mishná, tratado Meguilá (1:1), Purim pode ser comemorado em diferentes datas, dependendo da localidade e das circunstâncias históricas:
- 11 de Adar
- 12 de Adar
- 13 de Adar
- 14 de Adar
- 15 de Adar(Shushan Purim) para cidades muradas desde os dias de Josué.
Essa distinção preserva a memória do milagre em Susa e reforça que a salvação judaica foi vivida em diferentes ritmos, mas com a mesma essência de unidade.
Os Midrashim ampliam a figura de Ester como líder
- O Midrash Rabá descreve Ester como alguém que, mesmo oculta em sua identidade, manteve firme sua fé e coragem.
Sua decisão de se revelar como judia diante do rei é vista como um ato de liderança espiritual e política.
- Os sábios ressaltam que Ester não apenas salvou os judeus de sua geração, mas também estabeleceu um precedente: uma mulher pode ser protagonista na história judaica, guiando seu povo em momentos de crise.
- O silêncio do nome de D’us no Livro de Ester é interpretado como sinal de que a providência divina se manifesta através da ação humana. Ester torna-se, assim, um canal da vontade divina, mostrando que liderança feminina pode ser expressão da própria espiritualidade judaica.
Ester é mais do que uma heroína: ela é um modelo de liderança feminina no judaísmo. Sua coragem não se limita ao ato de enfrentar Assuero; ela ensina que liderança é assumir responsabilidade coletiva, mesmo quando isso exige sacrifício pessoal. O Midrash a apresenta como alguém que soube unir prudência e ousadia, silêncio e voz, ocultação e revelação.
No século V, em meio ao poder persa, Ester mostrou que a força de uma mulher pode mudar o curso da história. Purim, portanto, não celebra apenas a sobrevivência judaica, mas também a capacidade de uma liderança feminina transformar ameaça em esperança.
O Talmude Babilônico (Meguilá 11a–12b) amplia esse contexto, explicando que o reinado de Assuero se estendia sobre 127 províncias, e que a ameaça de Hamã representava um risco existencial para toda a diáspora judaica. A coragem de Ester, segundo os sábios, não apenas salvou os judeus da Pérsia, mas também fortaleceu a identidade judaica em meio ao poder imperial.

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